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A Música do Tempo – Do Sonho do Império ao Império do Sonho

Primeiro documentário de longa-metragem produzido pela equipe do Centro de Artes UFF.

 

Como parte das celebrações dos 50 anos do Cine Arte UFF, será lançado ao grande público o primeiro documentário musical de longa-metragem inteiramente produzido e idealizado pela equipe do Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense: A Música do Tempo – Do Sonho do Império ao Império do Sonho. A estreia ocorreno dia 17 de setembro, às 20h, com entrada gratuita, no Cine Arte UFF, em Niterói.

Em seguida, a partir de 18 de setembro, o filme entra em cartaz  com uma sessão diária.  A exibição exclusiva inaugura uma inédita conexão direta no Brasil  em que o produtor também é o exibidor, no caso, o Centro de Artes UFF, e faz parte das comemorações dos 50 anos da sua sala de exibição de filmes, o Cine Arte UFF.

O documentário musical, com direção cinematográfica de João Velho e protagonizado pelo grupo Música Antiga da UFF, conta com o registro do concerto O Sonho do Império e o Império do Sonho. O programa do concerto tem como temática a mitologia em torno do Quinto Império e do Sebastianismo, desde suas origens na corte portuguesa, entre os séculos 15 e 16, até o culto de rei Sebastião na religião de Tambor de Mina, no Maranhão. O  filme inclui depoimentos e imagens da visita do grupo ao cravista Roberto de Regina (construtor do primeiro cravo brasileiro e de um museu dedicado à arte barroca e renascentista).

A emoção, a memória da trajetória, e as novas perspectivas de futuro se misturam às cenas da apresentação do Música Antiga da UFF. O  longa-metragem traz praticamente todas as músicas do repertório gravadas no Teatro da UFF, com direção de arte e concepção cênica do prestigiado cenógrafo Ronald Teixeira, além de cenas de bastidores da gravação do concerto e entrevistas com os componentes do conjunto.

Como resultado, o documentário oferece ao público a oportunidade de conhecer melhor a sonoridade, os instrumentos e a linguagem do movimento de Música Antiga, a partir de um repertório cuidadosamente pesquisado pelo grupo da UFF, e permite saber mais sobre a realidade da vida de músicos que trabalham nessa linha há mais de 30 anos, no auge da maturidade artística de suas carreiras.

 

SINOPSE

Grupo de música antiga residente no Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense, depois de mais de 30 anos de atividade e com a proximidade da aposentadoria da maioria de seus músicos, tem um espetáculo registrado pelas câmeras na forma de um documentário, entrecortado por cenas de bastidores e entrevistas. A emoção, a memória da trajetória, e as novas perspectivas de futuro se misturam às músicas do concerto Do Sonho do Império ao Império do Sonho, inspirado no mito do 5º império português e o sebastianismo. A trilha sonora cobre séculos e vai da corte de D. Manuel à religião do Tambor de Mina do Maranhão. O documentário inclui depoimentos e imagens da visita do grupo ao cravista Roberto de Regina.

 

FICHA TÉCNICA

Direção e montagem: João Velho
Produção executiva: Leonardo Guelman
Direção de arte e direção cênica : Ronald Teixeira
Direção musical : Deivison Branco
Edição e montagem: Daniel Planel
Direção de produção: Laís Diel
Direção de fotografia: Whelby Dias, Pablo Rossi e Artur Bravo
Edição de som e mixagem do concerto: Alexandre Hang
Edição de som e mixagem Final: BenHur Machado
Colorista: Paulo M. de Andrade

 

O FILME

Originalmente, a ideia do filme surgiu do desejo do grupo Música Antiga da UFF gravar um DVD com o concerto O Sonho do Império e o Império do Sonho. Em vez de um DVD, o conjunto, do alto dos seus mais de 30 anos de carreira, por circunstâncias e obra do destino, acabou ganhando um documentário mostrando o concerto e revelando os músicos por trás do grupo. Do próprio Centro de Artes UFF, onde o grupo é residente, formou-se a equipe do filme tendo João Velho como diretor à frente de um grupo de funcionários e bolsistas do Curso de Cinema da UFF, e alguns poucos e estrategicamente definidos profissionais de fora. Entre esses, vai todo o destaque para o grande reforço do prestigiado cenógrafo e diretor de arte Ronald Teixeira, que foi colega dos integrantes do grupo na juventude, e de Jansen Raveira, que executou o projeto de videomapping do cenário.

O filme foi pensado para seguir a estrutura do concerto, que começa com músicas portuguesas medievais e termina com músicas do tambor de mina do Maranhão. Entremeado ao concerto, os músicos se transformam em personagens que se revelam para as câmeras nos bastidores da apresentação e nos seus depoimentos exclusivos para o filme. Nas cenas documentais, o grupo visita o famoso cravista Roberto De Regina, vivo, ativo e atualmente com mais de 95 anos em seu sítio em Guaratiba. A produção, apesar de modesta, alcançou um alto nível de qualidade no resultado, com a música gravada em uma mesa de som e o sistema de gravação ultra-modernos do recém reformado Teatro da UFF, operadores de câmera profissionais de fora com equipamentos de cinema de digital de alta resolução e lentes especiais.

A pós-produção foi toda trabalhada em sistemas dedicados. A montagem foi feita por João Velho no Centro de Artes em um moderno Mac Pro, enquanto a mixagem do concerto em 5.1, a finalização de áudio com os diálogos e finalização de imagem e cor foram feitas todas fora da universidade por profissionais especializados.

O filme representa talvez a primeira experiência num inédito modelo de produção híbrido, com uma universidade pública como produtora trabalhando com uma equipe profissional nas funções principais, e ao mesmo tempo dialogando e recebendo a colaboração de estudantes de cinema. Sem querer apontar algo a ser seguido, o filme fala por si só como um caminho possível para o cinema brasileiro e para a cultura no Brasil, retomando o protagonismo cultural das universidades.

Para quem gosta de música e história, o filme é um prato cheio. Mas para quem gosta de gente, de seres humanos com seus sonhos, o filme também vai agradar ao mostrar a trajetória de músicos, pessoas comuns, que tiveram a sorte de encontrar um espaço garantido para desenvolver dignamente o seu trabalho.

 

MÚSICA ANTIGA DA UFF

Música Antiga da UFF

O documentário Música do Tempo – Do Sonho do Império ao Império do Sonho tem como foco o grupo Música Antiga da UFF, sua música e a carreira de mais de 30 anos com pesquisa, registro e difusão da música dos períodos medieval, renascentista e barroco.

Embora desconhecidos do grande público, no seu meio e entre seu numeroso público de Niterói, são conhecidos e tidos como referência. O trabalho do grupo não se resume apenas ao resgate da música antiga, mas envolve também o estudo e a divulgação do contexto histórico e cultural dessas épocas, numa forma particular de intercâmbio e conexão da Universidade com a sociedade.

Vale destacar que, nos seus cursos e concertos musicais regulares, o grupo utiliza curiosas réplicas dos instrumentos da época adquiridas no exterior ou construídas especialmente para eles no Brasil.

Composto por Lenora Pinto Mendes (flauta, viola da gamba, krumhorn, rauschpfeife), Leandro Mendes (flauta, krumhorn, charamela), Márcio Paes Selles (flauta, viola da gamba, krumhorn), Mário Orlando (flauta, viola da gamba, percussão) e Virginia Van der Linden (flauta transversa, charamela, percussão e rauschpfeife), todos também pesquisadores, o Música Antiga da UFF gravou um LP: Cantares de Amor, Sospiros e Cuydados; e oito CDs temáticos: Lope de Vega – Poesias cantadas, Cânticos de amor e louvor, Música no Tempo das Caravelas, A chantar – Trovadoras medievais, O Canto da Sibila, Medievo Nordeste, Carmina Burana e Milagres de Santa Maria.

O grupo realizou inúmeros concertos por todo o Brasil, criou trilhas sonoras, videoclipes e atuou da organização de congressos sobre música antiga, nacionais e internacionais, tanto na Universidade Federal Fluminense como em outras universidades do Brasil e do exterior. O Música Antiga da UFF tem marcado sua presença em importantes salas de espetáculo da cidade e do Estado do Rio de Janeiro, como o Teatro da UFF, o Municipal de Niterói, a Sala Cecília Meirelles, o Espaço BNDES, o Centro Cultural Justiça Federal e algumas unidades do Sesc espalhadas por todo o Brasil.

Em sua carreira, somam-se participações em importantes festivais de música nacionais e estrangeiros, tais como: Festival Seviqc Brezice na Eslovênia (2013), Festival de Música de Paraty (2008), Oficina de Música de Curitiba (1985,1986,1987), Festival de Música Barroca de Alcântara (2012, 2014), Festival de Música Colonial de Juiz de Fora (2003, 2004), Festivais de Inverno na Região Serrana do Rio de Janeiro, entre outros.

A música antiga não chega a ser um gênero, seria mais um conceito que define um certo leque musical, mas volta e meia entra na moda, como na época em que os músicos do filme tomaram gosto por ela. Agora, surpreendentemente, com as minisséries de TV e os videogames, a música antiga volta a soar e ser tocada. Numa curiosidade, note-se que Lenora Mendes e Mário Orlando, recentemente, tiveram participações regulares em uma novela da TV Globo, como figurantes músicos medievais, inclusive tocando em cena.

 

REPERTÓRIO

O repertório do concerto “Do Sonho do Império ao Império do Sonho” é como se fosse uma viagem pelo tempo. Por um tempo vivido e presenciado pela música que embalou os sonhos do que seria o chamado 5º império português, simbolizado pelo rei-mito Dom Sebastião, morto na célebre batalha de Alcácer Quibir em 1578 e logo transformado numa espécie de divindade lusitana, que a qualquer momento poderia retornar das profundezas para tornar verdadeiro o sonho imperial de Portugal.

Na primeira parte do repertório do concerto, desfilam diversas músicas que típicas da corte de D. Manuel, pai de D. Sebastião. Há músicas que falam de amores não correspondidos, músicas sobre o drama de usar um sapato fora de moda, sobre a fofoca da vizinhança, mas também músicas que contam de forma épica o desenrolar da batalha que pôs fim à vida de D. Sebastião.

Na parte final, ficam concentradas algumas deliciosas melodias do cancioneiro popular do culto do tambor de mina, no Maranhão, para onde emigrou o mito de D. Sebastião, que tem sua própria falange de espíritos que incorporam nos filhos de santo e atendem o povo com passes e conselhos. As músicas foram todas colhidas numa viagem do grupo à São Luiz, junto com um pai de santo da localidade, e foram adaptadas para a formação de um conjunto musical medieval.

Os instrumentos musicais, principalmente os de sopro, são um espetáculo à parte, que pode ser conferido no filme. Entre músicas alegres e tristes, o público vai se envolvendo, seja nos concertos, seja no documentário, que privilegia quase que o tempo todos a audição na íntegra e sem interrupção de cada uma das peças.

 

PROGRAMA

Todas as músicas executadas no filme são de autores anônimos, exceto uma que já caiu em domínio público por ter sido composta há séculos atrás. Parte delas são peças de cancioneiros medievais portugueses, e parte delas pertence ao repertório de rezas do culto do Tambor de Mina do Maranhão – Brasil, sem data de criação definida. Os nomes aqui reproduzidos foram criados pela produção para efeito de identificação das peças.

Anônimo (Cancioneiro D’Elvas) – Sec. XV-XVI
Que he o que vejo
Venid a sospirar
Cuydados meus tãos cuydados

Anônimo (Cancioneiro Bibl. de Paris) – Sec. XV-XVI
Vos, senhora

Anônimo (Cancioneiro D’Elvas) – Sec. XV-XVI
Antonilla es desposada

Anônimo (Cancioneiro Bibl. de Paris) – Sec. XV-XVI
Niña era la Infanta

Anônimo (Cancioneiro Colombina) – Sec. XV-XVI
Propiñán de Melyor

Anônimo (Cancioneiro Bibl. de Paris) – Sec. XV-XVI
Não tragais bozerguis pretos

Anônimo (Cancioneiro Bibl. Nacional) – Sec. XV-XVI
Senhora del mundo

Anônimo (Cancioneiro D’Elvas) – Sec. XV-XVI
Soy serranica

Francisco de la Torre (Cancioneiro do Palácio) – Sec. XV-XVI
Danza Alta

Anônimo (Miscelânia de Miguel Leitão de Andrade) – Sec. XV-XVI
Puestos estan frente a frente

Anônimo (Doutrina de Tambor de Mina)
Rei é rei
Seu Turquia
O navio de Mariana
Rei Sebastião

 

JOÃO VELHO

João Velho

Carioca de Laranjeiras, João Velho tem 57 anos e está há quatro anos à frente da produção audiovisual do Centro de Artes UFF. É cineasta, editor e artista de motion graphics. Também atua como professor universitário, é autor de mais de cem artigos artigos para jornais e revistas e editor de blog especializado em audiovisual. Trabalhou muitos anos como diretor de documentários e programas para TV, e realizou quatro curta-metragens com incursões na ficção e no documentário, antes de finalizar seu primeiro longa-metragem para cinema, A Música do Tempo – Do Sonho do Império ao Império do Sonho.

Filmografia

1985 – Curta- metragem 35mm A Balada das Dez Bailarinas do Casino (15′) – Artenova
1985 – Curta-metragem 35mm A Última Canção do Beco (15′) – Artenova
1990 – Documentário para TV Revolução dos Gibis (52′) – TVE-RJ
1991 – Documentário para TV Quadrinhos Adultos (52′) – TV Manchete
1992 – Documentário para TV Geração Cara Pintada (52′) – TV SBT
2010 – Curta-metragem 35mm iCandomblé (16′) – Plural Filmes
2013 – Curta-metragem de cinema digital Toca pra Diabo (15’) – Casa Cinco
2017 – Longa-metragem A Música do Tempo – Do Sonho do Império ao Império do Sonho (97´) – Centro de Artes UFF

 

 

 

 

SERVIÇO:

 

Lançamento do filme “A Música do Tempo – Do Sonho do Império ao Império do Sonho”

17 de setembro, segunda-feira, às 20h

Cine Arte UFF (R. Miguel de Frias 9, Icaraí – Niterói. Tel.: 21 2629-5030)

 

Entrada gratuita

 

Livre para todos os públicos

Duração: 97 minutos

 

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