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Fabio Brucoli lança CD

No repertório do recital as obras do CD Violino Solo.

Dia 5 de setembro, quarta-feira, às 18h, no Salão Nobre do Theatro Municipal de São Paulo, Fabio Brucoli faz recital de lançamento do CD Violino Solo, do selo Série Ateneu Paulistano, com obras de Bach, Bela Bartók, Eugène Ysaÿe e a estreia de In Memoriam – Para aqueles que nos deixaram, de Olivier Toni. São obras virtuosísticas de beleza rara. Todos os textos são bilíngues.

No CD, Francisco Coelho relata: “Os dedos e as cordas alcançam mais. Por eles passam também cerca de 300 anos da História da Música através de obras criteriosamente escolhidas de Bach, Ysaÿe, Bartók e Toni. Fabio Brucoli, após se dedicar a inúmeros trabalhos de gravação da música brasileira para trio, agora aceitou a aventura íntima de violinista talentoso que lhe cobrava o registro do difícil e basilar repertório solo. O resultado desta empreitada foi a bem-aventurança que agora pode ser compartilhada neste CD cuidadosamente trabalhado nos detalhes e no todo, sobretudo pela primazia de inserir, em primeiro registro fonográfico, a obra de um importante compositor brasileiro no elenco de compositores consagrados”.

O CD Violino Solo tem preço sugerido de R$ 28 e está à venda neste link.

 

Repertório do CD 

Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Sonata n. 1 em sol menor, BWV 1001

Béla Bartók (1881- 1945)
Sonata para Violino Solo

George Olivier Toni (1926- 2017)
In Memoriam  – Para aqueles que nos deixaram

Eugène Ysaÿe (1858- 1931)
Sonata para Violino Solo, Op. 27 n. 3, Ballade

 

Texto de Aylton Escobar para o CD Violino Solo

Desde a escuta por assim dizer precoce deste recital de Fabio Brucoli (afinal, era ainda o demo do futuro CD), senti vontade de cumprimentar o jovem violinista não tanto pela audácia do seu repertório, mas pela sinceridade da sua disposição artística, pois ambas são evidentes virtudes e gestos que esperamos de todo artista talentoso e inquieto como ele é. As interpretações me provocavam cada vez mais ao longo da audição, partindo dos movimentos destacados da Sonata da chiesa em sol menor, de Bach, sua lírica e meditativa Siciliana e o afirmativo Presto, até a veemente paixão da grande Ballade, de Ysaÿe.

Só, o violino de Fabio Brucoli confirmava uma paisagem aberta: vertigens. A meio percurso neste chão montanhoso, a obra de Olivier Toni fluía feito um rio escuro de profunda beleza; as notas graves da quarta corda conferiam tristezas lutuosas, mas acima disso procuravam as rimas da gratidão devida “àqueles que nos deixaram” em tempo de luta.

No entanto, foi diante da elevadíssima montanha representada pela Sonata para Violino Solo, de Bartók, que a minha escuta se alertou: como o jovem artista enfrentaria as escarpas e grimpas daquele maciço? Obra piramidal, esta superlativa Sonata surgiu em meio aos ribombos insanos da II Grande Guerra; Yehudi Menuhin,que a comissionou e mereceu a dedicatória do compositor, estreou-a em novembro de 1944. Uma longa e importante correspondência se seguiu entre o autor e seu primeiro intérprete para tratar em detalhes os vários aspetos da singular e desafiadora partitura. Isto gerou uma edição revisada que orienta a maioria dos intérpretes atuais. Exemplos disso são as opções em nova escrita que acompanham várias passagens, sem comprometerem a disciplinada estrutura original; também é o caso das transposições dos quartos-de-tom (4º movimento: Presto) antes sugeridos pelo autor como menção à sonoridade popular húngara, ou ainda a opcional dispensa da surdina para o efeito sonoro especial de todo este movimento conclusivo da obra.

O 1º movimento se ergue essencialmente sobre a forma-sonata que exalta intervalos e harmonias do típico folclore magiar – em Tempo di ciaccona. A dicção é angulosa, marcante, masculina. E ricas são as indicações agógicas que dinamizam e clareiam o jogo temático e suas variações, além de favorecerem a nitidez polifônica. A Fuga – Risoluto, non tropo vivo – inicia-se a três vozes; as linhas pulsando através de vigorosos golpes de arco staccato al talone. Após uma seção onde a voz temática aparece acompanhada por ligeiras volatas, ela retorna numa série de acordes que alternam arcadas e pizzicatos, exibindo o instrumento em sua plenitude expressiva e técnica. No entanto, não parece ser uma fuga em sentido estrito, já que vários episódios, volta e meia, introduzem novo material ao tema principal, modificando-o sensivelmente. O 3º movimento, Melodia – Adagio, nos impressiona imediatamente através do seu lirismo de luminosidade contida que se reafirma em diferentes registros do instrumento, tensionando e relaxando seus contornos. Esta melodia irá se abrir em intervalos de sextas, oitavas, décimas, enxertados de murmurantes trinados e tremulados. Por fim, jogos de sons harmônicos e diáfanos agudos cobrem com um véu os últimos instantes deste Adagio.

O Presto final é eletrizante! A nervosa ponta do arco sobre as cordas sussurra e parece que um vespeiro trama um ataque; as seis semicolcheias por compasso de repente mudam sua forte marca de acentuação para cada quatro e isso basta para bulir com a gente; as quebras rítmicas não cessam, embora jamais desmintam o prévio e rigoroso planejamento estrutural; de “caso pensado”, essas quebras rítmicas ou prosódicas (de resto, introduzindo intervalos de nonas, quintas e os fascinantes trítonos que deslizam para o alto) intensificam o prazer da dança feroz. Três temas contrastantes aparecem ao longo deste movimento, que, ao final, na Coda, ressurgem para concluir a obra de modo brilhante, quase impiedoso: objetivo.

Como o jovem artista enfrentou as terríveis escarpas e grimpas deste maciço? A resposta não demora: com acurado estudo, vitoriosa disciplina, ousadia e determinação. Cada página da partitura que ele me emprestou para consultas veio rabiscada de anotações gritadas, por assim dizer, alertas exclamativos, sinais de insatisfação, incitando-o a maiores esforços. Fabio Brucoli se propôs a vencer e a merecer Bartók.

Da Sonata n. 3, Op. 27, do genial violinista, regente e compositor belga, Eugène Ysaÿe – Ballade – que encerra este belo Programa de Concerto, por acaso possuo uma cópia da histórica gravação deixada por Ilya Kaler que ouço em momentos de cura e alento. Ouvi-la com atenção certamente também pôde ter inspirado Fabio Brucoli na interpretação desta Balada de Ysaÿe com inteira deposição da alma. Pois o que salta da magnífica leitura de Ilya Kaler é a lição do artista que se dá conta das claras indicações do compositor, sempre atento ao espírito da obra em lugar de meramente levantar um monumento ao seu próprio virtuosismo e capacidade técnica. A diferença disso para as conquistas de Fabio Brucoli é a juventude deste último que lhe assegura novos êxitos, frutos da sua sinceridade profissional e firme disposição artística – as virtudes e gestos que esperamos de todo artista talentoso e inquieto como ele é.”

 

Fabio Brucoli

Nascido em uma família de reconhecidos músicos, Fabio é violinista de destaque no cenário artístico brasileiro, apresentando-se regularmente nas principais salas de concertos e festivais do Brasil. Antes de completar seus 16 anos, sob a orientação de Uwe Kleber, ganhou vários concursos, dentre eles por duas vezes, o concurso Jovens Solistas da Osesp. Como bolsista no curso de extensão do Departamento de Música da ECA/USP, estudou com o Prof. Erich Lehninger. Fez curso de alta interpretação com Josef Gingold. Ganhador de bolsa de estudos da Instituição Vitae, segue seus estudos na Alemanha, ingressando na classe do renomado violinista russo Roman Nodel. De 1990 a 1994, apresenta-se em recitais pela Alemanha e realiza turnê pelo Brasil.

É bacharel em violino e também formado no curso de Künstlerische Ausbildung, pela Escola Superior de Música de Mannheim, na Alemanha. Retorna ao Brasil e, a convite do violoncelista polonês Sigmund Kubala, integra como primeiro violino o Quarteto de Cordas de São José dos Campos. De 1994 a 2002, atuou como spalla e líder da Orquestra de Câmara Solistas do Brasil. Ganhou por duas vezes, em 1995 e 1997, o Prêmio APCA para os melhores músicos de câmara do ano.

Em 2012, inicia participações efetivas como coordenador e solista nos Festivais de Prados – MG, apresentando obras para violino solo como: Sonatas de Eugène Ysäye, a Sonata para violino solo de Bela Bartók, Sonatas para violino solo de J. S. Bach, peças de compositores brasileiros, além de concertos para violino e orquestra de W. A. Mozart e J. S. Bach. Esse trabalho motivou Olivier Toni a indicar Fábio Brucoli como seu sucessor na direção artística desse tradicional festival de música, que em 2017 realizou sua 40ª edição.

Idealizador do projeto Glauco Velasquez 4 Trios, realizou, com o Aulustrio e em parceria com o Centro Cultural São Paulo, gravações inéditas no palco do Teatro Municipal de São Paulo – em CD e DVD destas obras. Entre 2012 e 2013, atuou como professor convidado, no Departamento de Música da USP de Ribeirão Preto – SP.  Em julho de 2013, apresentou em primeira audição, obra para violino solo intitulada Tocata em cordas duplas, de Olivier Toni, dedicada pelo compositor a Fabio Brucoli.  Atualmente é violinista do Aulustrio e diretor artístico dos Festivais de Prados – MG.

 

Ficha técnica

Gravado no Wiro Estúdio
Engenheiro de áudio: Carlos Bechet
Assistente de áudio: Rafael Costa
Dirigido, editado, mixado e masterizado Marcos Scheffel
Fotografia: Marcelo Donatelli
Textos do CD: Aylton Escobar e Francisco Coelho
Versão para o inglês: John Spindler
Revisão de textos: Fabian Figueiredo
Projeto gráfico: Oscar Sacoman
Assessoria de Imprensa: Míriam Bemelmans

 

SERVIÇO:

 

Concerto de lançamento do CD “Violino Solo”, de Fábio Brucoli

 

5 de setembro, quarta-feira, às 18h

Salão Nobre do Theatro Municipal de São Paulo (Praça Ramos de Azevedo, s/n, Sé – São Paulo)

 

Entrada gratuita

 

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