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Resumo da ópera 2018

Em nosso tradicional balanço da temporada, indicamos os melhores do ano em âmbito nacional. Melhor produção de ópera é do Theatro São Pedro.

 

Se 2017 foi um ano sombrio para a Cultura no Brasil, com cortes generalizados de verbas em todos os lugares e até mesmo tentativas de censura (algumas levadas a cabo nas artes plásticas), 2018 registrou uma ligeira melhora em relação ao ano anterior, apesar dos problemas de sempre e do descaso continuado que a política e os politiqueiros demonstram com as nossas instituições culturais públicas – sendo o incêndio que destruiu o Museu Nacional e quase a totalidade do seu acervo o exemplo mais bem acabado (e bota “acabado” nisso) da negligência com que a Cultura é tratada em nosso país.

Se é justo criticar os nossos políticos, é preciso apontar o dedo aqui, também, para boa parte das grandes empresas brasileiras e multinacionais que atuam no Brasil, que poderiam patrocinar a Cultura muito mais do que o fazem atualmente (lembrando que patrocínio privado por aqui somente se realiza com renúncia fiscal, ou seja, com dinheiro público). Será que essas grandes empresas realmente ficariam mais pobres se utilizassem dinheiro do próprio caixa em patrocínios?

Já entrando no campo da ópera, que é o motivo desta retrospectiva, 2018 foi um ano um pouquinho melhor que 2017, mas só um pouquinho, e, pelo menos por ora, 2019 se mostra uma verdadeira incógnita, já que a maioria dos teatros líricos brasileiros é ligada a governos estaduais que tiveram seus governantes substituídos nas eleições de outubro.

O Movimento.com faz, uma vez mais, o seu balanço da temporada nacional de óperas, resumindo o que aconteceu (ou o que deixou de acontecer) nas cinco cidades que são as principais produtoras líricas do país. E, como já se tornou tradição, o autor deste balanço aponta os melhores do ano, dentre tudo o que viu e ouviu nas dez produções líricas completas e outras em forma de concerto (ou concerto cênico) que pôde conferir ao longo do ano em solo nacional.

 

São Paulo

O principal teatro de ópera de São Paulo em 2018 foi o Theatro São Pedro, antes de qualquer outra coisa, porque a casa da Barra Funda, administrada pela Santa Marcelina Cultura, soube tratar a ópera como aquilo que ela é: uma forma de arte. E é exatamente por esse motivo que o São Pedro, mesmo trabalhando com um orçamento enxuto, mereceu o grande destaque da temporada, como se verá no fim deste balanço.

Depois de ter passado por uma mudança de gestão em 2017, no ano que agora se encerra, o Theatro São Pedro teve uma programação regular, anunciada com antecedência e sem maiores sobressaltos. Em sua temporada, a casa apresentou quatro óperas encenadas: começou o ano com um delicioso Il Matrimonio Segreto, seguiu com Alcina e Kátia Kabanová, até concluir o ano com a A Midsummer Night’s Dream (Sonho de uma Noite de Verão). Nem tudo foi perfeito, claro. Houve problemas, por exemplo, de escalação aqui ou ali, mas, no geral, foi uma temporada consistente.

Falta ainda à Santa Marcelina Cultura explicar melhor porque até hoje não indicou um diretor artístico específico para o Theatro São Pedro, nem um regente titular para a orquestra da casa. Esses dois profissionais poderiam elevar ainda mais o bom nível que se observou na casa em 2018.

Para 2019, salvo alguma mudança de última hora, as óperas encenadas na Barra Funda deverão ser La Clemenza di Tito, de Mozart; L’Italiana in Algeri, de Rossini; O Caso Makropulos, de Janáček; e um título inédito de compositor brasileiro.

Já o Theatro Municipal de São Paulo, que por sua história e importância deveria ser a principal casa de ópera paulistana, acabou exercendo papel coadjuvante em 2018, devido, especialmente, às trapalhadas envolvendo a sua gestão – trapalhadas estas que devem ser atribuídas tanto ao Instituto Odeon, organização social gestora do TMSP, quanto a André Sturm, secretário municipal de Cultura que passou o ano se intrometendo na gestão da casa. Além disso, atualmente, a ópera parece ser tratada no TMSP mais como um evento social, e menos como arte.

O Municipal de São Paulo apresentou em 2018 uma temporada com quatro títulos líricos encenados, o que é pouco para aquele que é considerado o teatro de ópera mais abastado do país. Foram apresentadas as óperas La Traviata (produção proveniente de Belo Horizonte, como se verá mais adiante), Der Rosenkavalier (O Cavalheiro da Rosa), Pelléas et Mélisande e Turandot. O Municipal paulistano apresentou ainda, em forma de concerto, a ópera Piedade, de João Guilherme Ripper.

A referida intromissão do secretário André Sturm na gestão do TMSP teve consequências: a poucas semanas do fim do ano, a secretaria de Cultura decidiu, de forma unilateral, encerrar o contrato de gestão do Instituto Odeon. Um novo edital lançado para escolher um novo gestor, porém, foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Município. O leitor interessado encontra aqui um artigo específico que aborda este e outros problemas envolvendo o TMSP.

Para 2019, o Instituto Odeon programou uma temporada que foi antecipada aqui pelo Movimento.com. Tal programação, no entanto, encontra-se em compasso de espera, tendo em vista a possibilidade de troca da organização social gestora da casa.

Por mais um ano, quem merece um destaque especial é o Mozarteum Brasileiro, que ofereceu na Sala São Paulo mais um concerto memorável com repertório operístico, estrelado por ninguém menos que a notável soprano russa Anna Netrebko. Participou também do concerto o marido da cantora, o tenor azerbaijano Yusif Eyvazov. Ambos foram acompanhados pela Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro, regida pelo italiano Jader Bignamini (leia a crítica). Para 2019, já foi anunciada a presença de outra estrela internacional na programação do Mozarteum: a mezzosoprano letã Elīna Garanča. Simplesmente imperdível.

Por fim, vale destacar ainda as apresentações devidamente encenadas da ópera Roméo et Juliette, de Gounod, pelo estado de São Paulo, com récitas em Santo André, Jacareí e na própria capital. A produção foi da Cia. Ópera São Paulo e contou com a participação da Orquestra Sinfônica de Santo André, sob a regência de Abel Rocha.

 

Rio de Janeiro

Dentre as principais cidades brasileiras que são produtoras líricas, somente o Rio de Janeiro teve em 2018 um ano pior que 2017. Isso se deveu, especialmente, aos desmandos da política fluminense, que fizeram com que, em quatro anos de governo, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro tivesse seis presidentes diferentes. Se no ano anterior a Casa ainda apresentou duas óperas encenadas, neste que agora termina houve apenas uma, Un Ballo in Maschera, e de forma muito mal feita e um tanto improvisada: ninguém que tenha um pingo de juízo musical na cabeça agenda uma ópera como o Ballo com apenas dois ou três meses de antecedência.

Além disso, o então presidente do TMRJ, Fernando Bicudo, torrou na produção desta ópera de Verdi boa parte dos poucos recursos de que dispunha para a toda a temporada. Até hoje Bicudo não explicou direito a (falta de) “lógica” que passou por sua cabeça para tomar tal atitude. Antes mesmo do Ballo, Bicudo já tinha sido irresponsável ao anunciar à imprensa uma temporada irrealizável (relembre-a aqui). Ao gastar boa parte da verba de que dispunha em uma única produção, inviabilizou até mesmo a realização de uma pequena parte do que foi prometido. Poucos dias depois do encerramento da produção do Ballo, o então presidente precisou suspender a programação da Casa (relembre aqui).

Daí em diante, a programação do Municipal foi uma comédia de erros. Ao longo do ano, abordamos alguns dos problemas da casa em artigos: o encerramento das atividades da Academia de Ópera Bidu Sayão (leia aqui); o orçamento do caríssimo e fracassado Ballo em comparação com os orçamentos de outras produções líricas nacionais, ao mesmo tempo menos custosas e de melhor qualidade (leia aqui); e fizemos um alerta sobre a falência do modelo de gestão do TMRJ e a possibilidade de a relevância dos seus corpos artísticos vir a ser questionada pela sociedade em algum momento (leia aqui).

A ópera somente retornou ao Municipal do Rio, e mesmo assim em forma de concerto, no fim do ano, com Cavalleria Rusticana. A Casa também apresentou o poema vocal-sinfônico (ou poema lírico) Colombo, de Carlos Gomes, “vendendo” também esta obra como ópera em concerto, em uma classificação um tanto forçada e bastante discutível. No apagar das luzes de 2018, o TMRJ apresentou ainda uma versão de pequeno porte da ópera infantil João e Maria na Sala Mário Tavares (localizada em seu anexo).

Para 2019, o Theatro Municipal do Rio é uma grande incógnita. Até o momento da publicação deste texto, o novo governo do estado ainda não havia anunciado quem presidirá a instituição a partir de janeiro. Sabe-se que a Assembleia Legislativa do estado aprovou um orçamento maior para a área cultural (e para o TMRJ em particular) no próximo ano (veja aqui), mas como todo orçamento sempre pode ser contingenciado, não se pode garantir nada por ora.

Por fim, vale destacar um problema que ganhou pouca repercussão na ocasião: em meados de novembro, o BNDES deu um ultimato ao TMRJ sobre o atraso do aporte que este último deveria ter feito no acordo para a construção da nova Central Técnica de Produção da Casa (mais detalhes aqui). Resta a pergunta que este autor se faz há vários anos: quando estiver pronta, essa nova CTP vai realmente produzir alguma coisa, ou será só mais um elefante branco? A pergunta é pertinente porque, como se sabe, o TMRJ não produz praticamente nada. A ver.

Com o Municipal vitimado pelos desmandos políticos, pelo segundo ano seguido coube à Sala Cecília Meireles chamar a responsabilidade para si e responder pelo que de melhor se fez em termos de ópera na cidade. A série Sala Lírica contou com várias e ótimas atrações, dentre as quais merecem destaque, em ordem cronológica, o recital da soprano Tati Helene (leia a crítica); a ópera brasileira O Caixeiro da Taverna; o concerto da soprano Eliane Coelho (acompanhada pela Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência de Luiz Fernando Malheiro), com um programa dedicado a Verdi; e a ópera Piedade.

Por fim, é preciso mencionar o recital do tenor Atalla Ayan (leia a crítica) no Theatro Municipal, pela temporada da Dell’Arte, e as óperas apresentadas na Cidade das Artes por iniciativa da Kether Arts: La Serva Padrona e Bastien und Bastienne. Empresa do regente Evandro Rodriguese, que foi o primeiro profissional a conseguir abrir as portas da instituição da Barra da Tijuca para a ópera, a Kether Arts planeja apresentar em 2019 Don Giovanni, L’Occasione Fa il Ladro e Il Segreto di Susanna, mas ainda depende da confirmação de patrocínios via Lei Rouanet.

 

Belo Horizonte

A Fundação Clóvis Salgado manteve a sua média dos últimos anos ao apresentar no Palácio das Artes duas óperas encenadas: La Traviata e O Holandês Errante (ou O Navio Fantasma, título pelo qual é mais conhecida). Foi mais um bom ano em termos qualitativos, tanto que, como se verá no fim deste texto, uma das duas produções é citada em algumas categorias dentre os melhores do ano. La Traviata, a propósito, atravessou a fronteira mineira e foi apresentada também no TMSP.

De negativo, é preciso registrar que, quando da apresentação da ópera de Verdi, o ar-condicionado central do Palácio das Artes estava inoperante; e, quando da ópera de Wagner, em virtude de o aparelho continuar inoperante, outros equipamentos bastante barulhentos foram improvisados no interior da grande sala. A emenda saiu pior que o soneto.

Para 2019, resta a expectativa de qual será a política do novo governo mineiro para a Fundação Clóvis Salgado.

 

Belém e Manaus

O Festival de Ópera do Theatro da Paz, de Belém, completou em 2018 um ciclo de oito anos, ciclo este equivalente aos dois mandatos do governo estadual que se encerra neste fim de ano. Pelo quarto ano consecutivo, o festival seguiu com um formato enxuto. A principal atração de 2018 foi uma montagem de Un Ballo in Maschera, bem cantada, bem tocada e encenada com correção, e que, exatamente por isso, também mereceu citações dentre os melhores do ano (veja mais abaixo). Completaram a programação do Festival a ópera La Vida Breve e o tradicional concerto de encerramento.

Em Manaus, o Festival Amazonas de Ópera apresentou cinco títulos, sendo o principal deles Faust, de Gounod. Também passaram pelo Teatro Amazonas títulos menos conhecidos ou inéditos: Dessana Dessana (de Adelson Santos), Florencia en el Amazonas (de Daniel Catán), Acis and Galatea (de Händel) e Kawah Ijen – Vulcão Azul (de João Guilherme Ripper).

Tal qual no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, os governos paraense e amazonense trocarão de mão em 2019, e por isso os festivais de Belém e Manaus poderão passar por um momento de transição. Espera-se que os novos governos do Pará e do Amazonas não prejudiquem esses dois eventos tão importantes para a ópera no Brasil.

 

O ano perdido de Rossini

Em 2018, foram lembrados pelo mundo os 150 anos de morte de um dos maiores gênios da história da ópera: o italiano Gioacchino Antonio Rossini, autor de, entre outras joias, O Barbeiro de Sevilha. O compositor foi lembrado em vários cantos do mundo, menos nas casas de ópera brasileiras. Aqui, nenhum teatro (nenhum!) montou sequer uma mísera operazinha de Rossini.

O amadorismo dos “gestores” da ópera no Brasil, que se mostraram incapazes sequer de prestar atenção a uma efeméride tão importante, deixa a sensação de que, aqui, a ópera nunca sairá do seu ciclo vicioso. É pena.

 

Johnny França, Daniel Umbelino, Luciana Bueno e Manuela Freua em “Sonho de uma Noite de Verão”

 

Melhores do ano

Este balanço se encerra com a indicação dos principais destaques da temporada de óperas pelo Brasil, dentre tudo aquilo que o autor viu e ouviu em 2018. Nossas premissas foram ligeiramente atualizadas:

a) para a indicação de melhor produção de ópera e para as indicações individuais da área cênica, foram considerados somente espetáculos inéditos produzidos no Brasil, de forma que remontagens, espetáculos produzidos originalmente no exterior, ou trazidos de outros teatros de anos anteriores não foram levados em conta;

b) para as indicações individuais de caráter musical foram considerados somente artistas brasileiros ou radicados no Brasil, enquanto para as indicações individuais de caráter cênico foram considerados profissionais brasileiros e sul-americanos; e

c) para categorias com mais de um nome indicado, foi observada a ordem alfabética do prenome.

Premissas esclarecidas, seguem as indicações:

Grande destaque do ano: temporada lírica do Theatro São Pedro-SP. Mesmo contando com recursos enxutos, a casa da Barra Funda ofereceu uma temporada digna e artisticamente superior às temporadas dos demais teatros de ópera brasileiros.

Melhor produção de ópera: A Midsummer Night’s Dream (Sonho de uma Noite de Verão), produção do Theatro São Pedro, pela raridade do título, por sua belíssima e impecável encenação e pela ótima performance musical geral, com a grande maioria dos seus 19 solistas cantando e atuando em muito bom nível.

Melhor encenador: Jorge Takla, por seus belíssimos trabalhos de concepção e direção tanto em La Traviata (produção da Fundação Clóvis Salgado, de Belo Horizonte, depois levada ao Theatro Municipal de São Paulo), quanto em Sonho de uma Noite de Verão (no T. São Pedro).

Melhor cenógrafo: Nicolás Boni (indicado pelo terceiro ano consecutivo), tal qual Takla, por seus magníficos trabalhos nas mencionadas produções de La Traviata e Sonho de uma Noite de Verão.

Melhor figurinista: Fábio Namatame, por seus trabalhos qualificados e em diferentes estilos nas produções de O Cavalheiro da Rosa (TMSP), Alcina e Sonho de uma Noite de Verão (ambas do T. São Pedro).

Melhor iluminador: Caetano Vilela, por seus ótimos trabalhos apresentados em Il Matrimonio Segreto e em Sonho de uma Noite de Verão (ambas no T. São Pedro); e ainda em O Cavalheiro da Rosa (no TMSP), sempre contribuindo para a construção de cada ambientação, de acordo com a proposta de cada encenação.

Melhor regente: Cláudio Cruz, por seu ótimo trabalho de direção musical em Sonho de uma Noite de Verão (T. São Pedro), aliando técnica e sensibilidade.

Revelações como regentes de ópera: Miguel Campos Neto, que já merecia há algum tempo citação neste espaço, por seu trabalho em Un Ballo in Maschera, no Festival de Ópera do Theatro da Paz; e Priscila Bomfim, por sua condução de Piedade, na Sala Cecília Meireles.

Melhor orquestra: Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (indicada pelo segundo ano consecutivo), pela sua bela performance em Un Ballo in Maschera.

Melhor cantor: Fernando Portari, tenor (indicado pelo segundo ano consecutivo), por suas excelentes atuações como Alfredo, em La Traviata, no Palácio das Artes, e como Riccardo, em Un Ballo in Maschera, no Festival do Theatro da Paz.

Melhor cantora: Luisa Francesconi, mezzosoprano, por suas excelentes performances como Octavian, dominando o palco em O Cavalheiro da Rosa (TMSP), e como Varvara, cantando magnificamente em Kátia Kabanová (T. São Pedro).

Revelação: Juliana Taino, mezzosoprano, por sua Flora Bervoix (La Traviata, Palácio das Artes) e por sua Hippolyta (Sonho de uma Noite de Verão, T. São Pedro). A artista já vinha beliscando uma menção neste espaço desde o ano anterior, quando interpretou a Maria de Porgy and Bess (Palácio das Artes).

Afirmação: Ana Lucia Benedetti, mezzosoprano, por suas ótimas contribuições como Fidalma em Il Matrimonio Segreto, no T. São Pedro, e como Santuzza em Cavalleria Rusticana (em concerto), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro; e Daniel Umbelino, tenor, por suas performances como Lysander (Sonho de uma Noite de Verão, T. São Pedro) e Dilermando de Assis (Piedade, Sala Cecília Meireles).

 

Foto do post (de Heloisa Bortz): Sonho de uma Noite de Verão, produção do Theatro São Pedro.

 

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Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com