CD/DVDLateralNotícia

Rodrigo Marconi lança primeiro CD “Correspondências”

Obra totalmente autoral e inspirada na literatura universal

Em “Correspondências”, compositor e educador carioca apresenta peças contemporâneas que se comunicam com a arte literária de Roland Barthes, Fernando Pessoa e Berthold Brecht, além de referências a Villa-Lobos e Bach

Corresponder. Corresponder a, corresponder ao, corresponder à, corresponder com, corresponder-se, co-responder… Correspondência”. Assim nasce e começa a definição do CD de estreia do compositor e professor Rodrigo Marconi, que reuniu em “Correspondências” algumas de suas dezenas de composições, presentes nos principais festivais e bienais de música contemporânea do país. De produção independente, gravado e mixado na A Casa Estúdio (RJ) e com distribuição nacional pela Tratore, o álbum reúne 6 obras, divididas em 15 faixas, considerando seus movimentos.

O título do disco solo registra, mais do que tudo, o diálogo de sua obra com as mais variadas expressões artísticas. “No campo das artes, correspondência significa, acima de tudo, diálogo. Diálogo que nas minhas composições atravessa o fantástico universo do poeta português Fernando Pessoa e seus heterônimos, a leitura de mundo do semiólogo francês Roland Barthes, a postura política e artística do teatrólogo e poeta Berthold Brecht e uma infinidade de outras referências que interferem, contaminam e potencializam a minha música”, ressalta Marconi. E ainda complementa: “Nesse sentido, a pintura, o cinema, a fotografia e, principalmente, o teatro, a literatura e a própria música fornecem um campo fértil de intercâmbio e de inspiração para as composições no CD apresentadas, onde a intertextualidade é a motivação, o ponto de partida e de chegada. Tem sido a forma que encontrei de me corresponder com o mundo”.

 

Rodrigo Marconi

Rodrigo Marconi

Compositor, musicólogo e professor carioca, Rodrigo Marconi iniciou-se na música aos 12 e, aos 18, já trabalhava em composições para teatro e cinema. Seu ingresso na música de concerto aconteceu em 2008, com sua primeira participação no Panorama da Música Brasileira Atual da Escola de Música da UFRJ. Bacharel em composição musical pela Universidade Estácio de Sá (UNESA), teve a oportunidade de estudar com os compositores Guilherme Bauer, João Guilherme Ripper e Tato Taborda. Licenciado em Educação Artística com habilitação em Música pelo Conservatório Brasileiro de Música (CBM-CEU) é mestre em Musicologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Suas obras foram tocadas em importantes festivais como a XVIII e XXII Bienal de Música Brasileira Contemporânea, os Panoramas da Música Brasileira Atual (UFRJ), o Festival Babel (Porto Alegre), nas séries MUSIMAC (USP), CBM Experimental, Festival Compositores de Hoje, Série Tendências (UFRJ) Série Compositores (UNI-RIO) entre outras.

Foi um dos compositores contemplados com o Prêmio FUNARTE de Música Clássica 2016 com o trio “O Despertar da Intratável Realidade” para violino, violoncelo e piano, obra que teve sua estreia na XXII Bienal de Música Brasileira Contemporânea (2017). Atualmente, leciona na Escola Estadual de Teatro Martins Penna (FAETEC-RJ) e na graduação do Conservatório Brasileiro de Música (CBM-CEU).

www.rodrigomarconi.com

 

Repertório do CD

Golpes de Pequenas Solidões

Escrita para flauta, clarinete e vibrafone, é inspirada pela percepção e leitura de mundo de Roland Barthes (1915-1980), afinal, segundo o próprio, ¨a vida é assim, feita a golpes de pequenas solidões¨. Nela, os três instrumentos ora são apresentados só, introspectivos e reflexivos, cada um com sua essência e discurso, ora tocando em conjunto, dialogando, “(con)vivendo, (co)existindo, (co)habitando, construindo, afetando e sendo afetado pelo outro. Solidões… solidão… só… ou como preferia Guimarães Rosa, Solistência, a solidão da existência de tudo que está vivo”, define o compositor.

Impropérios

Escrita para vibrafone, brilha a execução de Joaquim “Zito” Abreu, em cinco pequenas peças. A música busca ressaltar uma dicotomia intrínseca na palavra “Impropérios”: ao mesmo tempo que significa um discurso ofensivo, injurioso, desrespeitoso… é também uma antífona da liturgia católica cantado durante a semana santa (hinos de louvor). Toda sua inspiração para a sua criação se baseia no extremo dessa dicotomia, onde o profano e o sagrado, o conflito e a comunhão, o terrestre e o divino se conectam através da mais corriqueira e cotidiana forma de expressão: a palavra.

Canções para os dias de Sol ou de Chuva

O duo de flauta (Reinaldo Pacheco) e clarinete (Moisés Santos) dá cor à obra, escrita em três movimentos especialmente para os próprios intérpretes, amigos de Marconi.A peça tem como objetivo contemplar o dia-a-dia, as pequenas coisas, a simplicidade de ser e estar vivo”, define o autor.

Brechtianas

A partir do violão de Fábio Adour, os três movimentos da música representam uma singela homenagem a um dos mais importantes artistas do século XX, o poeta, dramaturgo e encenador alemão Berthold Brecht (1898–1956), que com sua produção e postura perante a arte e a vida influenciou o teatro contemporâneo, tornando-se imprescindível. Ao mesmo tempo, faz referência às “Bachianas”, a obra-prima escrita por Villa-Lobos em homenagem e devoção a Johann Sebastian Bach.

No Bosque dos Espelhos

O piano de Ronal Silveira nos dois movimentos realça o convite do ouvinte a um passeio nos labirintos do seu próprio ser. A “egotrip”, como bem conceitua Marconi, busca mostrar que é exatamente dentro desse bosque “que se escondem vários mistérios, perigos, desafios, segredos, nossas expectativas mais íntimas, experiências e os conhecimentos mais profundos”. É no bosque dos espelhos que nos colocamos em contato com o mundo interior, onde Narciso se auto-contemplava ou onde Alice, através da pena de Lewis Carroll, se questionava: “Este deve ser o bosque”, disse pensativamente, “em que as coisas não têm nomes. O que será que vai ser do meu nome quando eu entrar nele?

Às Várias Pessoas de Fernando

O disco chega ao final reunindo flauta (Reinaldo Pacheco), clarinete (César Bonan), violino (Ângelo Martins), violoncelo (Luciano Correa) e piano (Mateus Araújo) em referência ao célebre poeta português Fernando Pessoa. “O que sempre me fascinou na vida e na obra do poeta português Fernando Pessoa foi sua relação com seus diversos heterônimos. Muito mais que um pseudônimo, os heterônimos vivem, carregam consigo suas experiências, seus dilemas, sua história. E todos eles, repletos de significações e significados, de desejos e realizações explodiam (ou implodiam, quem sabe) dentro do limite de apenas um corpo físico”. Nessa composição, o autor imaginou todos esses seres (con)vivendo dentro de um só ser, com suas relações e conflitos, seus diálogos prováveis e improváveis, suas limitações espaciais e mentais.

 

 

CD “CORRESPONDÊNCIAS”

Gravadora: Independente / Distribuição: Tratore

Preço Médio: R$30,00

 

 

PARA OUVIR E/OU COMPRAR ONLINE

https://www.deezer.com/br/album/79897172

https://itunes.apple.com/br/album/correspond%C3%AAncias/1444486633?app=music&ign-mpt=uo%3D4

https://open.spotify.com/album/7u9Vb1ph9CldbeVELgF9p5

 

.

 

Faça seu comentário
movimento.com
Responsável pela inclusão de programação e assuntos genéricos no blog.