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Filarmônica MG celebra centenário de Cláudio Santoro

Para tanto, recebe o maestro Alessandro Crudele e o pianista Aleyson Scopel

O italiano Alessandro Crudele é o regente convidado dos concertos dos dias 25 e 26 de abril, às 20h30, na Sala Minas Gerais. Sob sua batuta, a Orquestra interpreta um programa que une Brasil, Itália e França: Fontes de Roma e Impressões Brasileiras, de Respighi, Pavana para uma infanta defunta, de Ravel, e Dança, de Debussy. O jovem pianista brasileiro Aleyson Scopel volta a se apresentar com a Filarmônica com Concerto para piano nº 1, de Cláudio Santoro, nas celebrações do centenário do compositor.

Antes das apresentações, entre 19h30 e 20h, o público poderá assistir aos Concertos Comentados. O convidado desta semana é a bailarina e figurinista Joana Farnezi, que abordará a arte musical francesa. As palestras são gravadas em áudio e ficam disponíveis no site da Orquestra.

Estes concertos são apresentados pelo Ministério da Cidadania e Governo de Minas Gerais e contam com o Patrocínio da ArcelorMittal por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

 

PROGRAMA

Ottorino Respighi (Bolonha, Itália, 1879 – Roma, Itália, 1936)
Fontes de Roma (1915/1916)

O poema sinfônico Fontes de Roma, em forma de suíte em três partes sem interrupção, foi composto em 1916 e estreado em 1917. Arturo Toscanini dirigiu sua segunda execução em Roma, com grande repercussão. A obra se mantém no repertório das orquestras e na discografia atual com grande relevo, graças à extraordinária sabedoria da orquestração, aliada à característica sensualidade e beleza tímbrica. Respighi compôs mais dois poemas sinfônicos – Pinheiros de Roma e Festas Romanas – sobre impressões da cidade que adotara como sua, sem atingir a mesma força expressiva do primeiro.

Respighi registrou, numa introdução à partitura de Fontes de Roma, comentários sobre “como concebeu a obra, de forma a expressar sentimentos e visões que lhe sugeriam quatro das fontes de Roma, contempladas nos momentos em que parecem estar mais em harmonia com a paisagem”. A fonte de Valle Giulia ao alvorecer, sobre a qual a música pinta uma “cena pastoril, rebanhos que passam e desaparecem em meio aos frescos vapores da madrugada romana”. Em seguida, a fonte do Tritão durante a manhã, numa explosão de trompas “invocando náiades e tritões que se perseguem em frenética dança entre jatos d’água”. Um tema solene de trompetes introduz a cena em que “sobre a superfície da água passa o carro de Netuno seguido por sereias e tritões” em homenagem à fonte de Trevi ao meio-dia. Por fim, no cair da tarde na fonte de Villa Médici “um triste tema se eleva sobre prolongado trinado. É noite e tudo desaparece gradualmente no silêncio”.

 

Cláudio Santoro (Manaus, Brasil, 1919 – Brasília, Brasil, 1989)
Concerto para piano nº 1 (1952)

Ainda criança, aos 12 anos, Cláudio Santoro obteve uma bolsa do governo amazonense para estudar no (então Distrito Federal) Rio de Janeiro. Foi na capital do país que sua carreira deu os primeiros e já importantes passos. Após se formar no Conservatório de Música do Distrito Federal em 1936, foi nomeado professor de violino e de harmonia daquela escola. Em 1940, o professor integrou o naipe de violinos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), grupo que ajudou a fundar. Do ingresso no mundo da composição, em 1938, até a primeira execução do Concerto para piano nº 1, em 1953, dois importantes episódios marcam sua trajetória e escolhas estéticas.

O primeiro deles, o estudo com Hans-Joachim Koellreutter, definiu o período inicial de sua obra, orientado pela adoção da técnica dodecafônica. Em 1945, ganhou bolsa de estudos na Fundação Guggenheim, em Nova York, mas teve sua entrada nos Estados Unidos impedida devido a sua militância no Partido Comunista. O episódio o fez ir para a Europa, onde o contato com as teorias de Andrei Jdanov e o Realismo Soviético para as artes refletiu em uma nova orientação estética e o fez aderir ao nacionalismo musical.

Em 1949, de volta ao país e sem o posto na OSB, dificuldades financeiras o fizeram morar numa fazenda na Serra da Mantiqueira. Seu retorno ao Rio de Janeiro se dá em 1950, para trabalhar na Rádio Tupi e Rádio Clube do Brasil. O Concerto para piano nº 1 é justamente dessa época, em que retorna ao Rio dedicado a estudar a música brasileira de várias procedências. Sua primeira apresentação teve Eleazar de Carvalho como regente e Heitor Alimonda como solista, ao lado da Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. No início dos anos 1960, Santoro abandonou a orientação nacionalista e voltou à composição atonal.

 

Maurice Ravel (Ciboure, França, 1875 – Paris, França, 1937)
Pavana para uma infanta defunta (1899, revisão 1910)

Nascido na borda dos Pirineus Franceses, a poucos quilômetros da fronteira espanhola, Maurice Ravel nunca deixou de atravessar estes limites geográficos por meio de sua música. Mesmo tendo se mudado para Paris ainda bebê, a fascinação do compositor pela Espanha permaneceu ao longo de toda a vida, uma vez que sua mãe, Marie, havia nascido no país Basco e crescido em Madri.

Concebida inicialmente para o piano enquanto ainda era aluno do Conservatório de Paris, Pavana para uma infanta defunta foi o primeiro sucesso popular de Ravel. Ganhou, segundo Roland-Manuel, “a estima dos salões e admiração das jovens que não tocavam piano muito bem”. Considerada uma melhoria em relação à original, a versão para orquestra só ficou pronta mais de uma década depois. Ainda que Pavana seja dedicado à princesa de Polignac, não se trata de uma elegia. “Meu único pensamento foi pelo prazer da aliteração”, uma vez que, na língua espanhola, infanta é um título de nobreza. Pavana, por sua vez, é uma dança característica da região da Pádua, na Itália.

 

Ottorino Respighi (Bolonha, Itália, 1879 – Roma, Itália, 1936)
Impressões Brasileiras (1928)

Em 1928, Elsa e Ottorino Respighi subiram a bordo do transatlântico Conte Verde para vir pela segunda vez ao Brasil. Organizadas pelo diretor da gravadora Casa Ricordi no Brasil, Giuseppe Giacompol, as viagens de 1927 e 1928 despertaram em Respighi interesse pelas músicas folclórica e indígena do nosso país. Ele vinha trabalhando em uma suíte brasileira a pedido dos dirigentes da Filarmônica do Rio. Em poucos dias, foram compostos os três tempos da peça, que teve sua primeira execução em junho de 1928 no Rio de Janeiro sob a batuta do próprio Respighi. Estavam previstos dois concertos em São Paulo, mas, segundo Elsa Respighi, na realidade foram oito apresentações. Imaginativos, os inquietantes sons do segundo movimento evocam o serpentário do atual Instituto Butantã, em São Paulo.

 

Claude Debussy (Saint-Germain-En-Laye, França, 1862 – Paris, França, 1918)
Dança (1890, revisão 1903)

A Tarantelle styrienne é uma obra híbrida, na qual Debussy joga com dois gêneros de dança: a típica tarantela italiana e a valsa vienense. Faz os apoios da música oscilarem entre os compassos binário composto, característico da tarantela, e ternário simples, próprio da valsa. Assim, escuta-se uma dança singular que se desloca entre a Itália e a Styria, região da Áustria marcada pela cultura eslava. Em 1903, a obra foi republicada como Dança.

A peça antecipa as translúcidas e leves harmonias recorrentes em Debussy, e sua seção central sugere as fêtes galantes do pintor Watteau, charmosas cenas banhadas na teatralidade da commedia dell’arte. A mesma Exposição Universal de 1889 em Paris, que serviu de inspiração para a composição de Debussy, suscitou em Maurice Ravel, aos 14 anos, a predileção pela orquestração. Ravel – que viria a tornar-se o maior orquestrador francês – deslumbrara-se ao ouvir as obras russas regidas por Rimsky-Korsakov, compositor e excepcional orquestrador. Arguto e sofisticado, Ravel extrai da orquestra criativas combinações de timbres, libertando os instrumentos de seus usos ordinários. Em 1922, Ravel orquestra Dança, em homenagem a Debussy. Faz emergir com seu colorido os contornos e toda a diáfana estrutura das primeiras obras que o próprio Debussy descreve como “perfeitas em forma, refinadas segundo as mais simples essências, ainda que exuberantemente desenvolvidas, completas”.

 

 

SERVIÇO

 


Série Presto –  dia 25 de abril, quinta-feira, às 20h30

Série Veloce – dia 26 de abril, sexta-feira, às  20h30

 

Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto – (31) 3219-9000)

 

Ingressos: R$ 46 (Coro) R$ 52 (Balcão Palco) R$ 52 (Mezanino), R$ 70 (Balcão Lateral), R$ 96 (Plateia Central), R$ 120 (Balcão Principal), Camarote par (R$ 140).

Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

Ingressos para o setor Coro serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

Ingressos comprados na bilheteria não têm taxa de conveniência.

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

 

Funcionamento da bilheteria:

Sala Minas Gerais – Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto

De terça-feira a sexta-feira, das 12 às 20h.

Aos sábados, das 12 às 18h.

Em quintas e sextas de concerto, das 12 às 22h

Em sábados de concerto, das 12 às 21h.

Em domingos de concerto, das 9 às 13h.

 

São aceitos cartões com as bandeiras Amex, Aura, Redecard, Diners, Elo, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.

 

 

 

Alessandro Crudele – regente convidado

Alessandro Crudele

Alessandro Crudele nasceu em Milão e vive atualmente em Berlim. Sua preferência musical começa no século XVII e chega aos compositores contemporâneos, com especial atenção ao impressionismo francês. Já regeu orquestras como a Filarmônica de Berlim e as sinfônicas de Bamberg, Berlim, Israel e do Porto. Outra paixão de Crudele é o trabalho com jovens talentos.

O maestro já conduziu as orquestras Internacional Jovem de Monte-Carlo e a da Academia de Teatro ala Scala de Milão. Alessandro estudou violino e composição no Conservatório Giuseppe Verdi, em sua cidade natal, e na Academia Chigiana, em Siena, e foi pupilo de Sir Simon Rattle. Na próxima temporada, além de desembarcar em Minas Gerais, China, Itália e Alemanha, Crudele se prepara para assumir o posto de Regente Principal Convidado da Orquestra Sinfônica da Rádio de Belgrado.

 

Aleyson Scopelpiano

Aleyson Scopel

Os primeiros acordes de Aleyson Scopel ao piano foram aos 14 anos, para pouco depois formar-se com a mais alta distinção no New England Conservatory of Music, em Boston. No Brasil, prosseguiu orientado por Myrian Dauelsberg e Célia Ottoni.

Aclamado como um dos grandes talentos do piano no Brasil, Aleyson já percorreu diversas orquestras nacionais, como as Sinfônicas Brasileira, de São Paulo, Bahia, Porto Alegre, Espírito Santo, a Filarmônica de Minas Gerais e a do Amazonas.

Vencedor dos prêmios Nelson Freire e Magda Tagliaferro, o pianista foi elogiado por Almeida Prado pela execução do ciclo de Cartas Celestes, de autoria do compositor paulista, em álbum pelo selo Naxos.

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Criada em 2008, desde então a Filarmônica de Minas Gerais se apresenta regularmente em Belo Horizonte. Em sua sede, a Sala Minas Gerais, realiza 57 concertos de assinatura e 12 projetos especiais. Apresentações em locais abertos acontecem nas turnês estaduais e nas praças da região metropolitana da capital. Em viagens para fora do estado, a Filarmônica leva o nome de Minas ao circuito da música sinfônica. Através do seu site, oferece ao público diversos conteúdos gratuitos sobre o universo orquestral. O impacto desse projeto artístico, não só no meio cultural, mas também no comércio e na prestação de serviços, gera em torno de 5 mil oportunidades de trabalho direto e indireto a cada ano.

Sob a direção artística e regência titular do maestro Fabio Mechetti, a Orquestra conta, atualmente, com 90 músicos provenientes de todo o Brasil, Europa, Ásia, Américas Central e do Norte e Oceania, selecionados por um rigoroso processo de audição. Reconhecida com diversos prêmios culturais e de desenvolvimento econômico, ao encerrar seus 10 primeiros anos de história, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais recebeu a principal condecoração pública nacional da área da cultura. Trata-se da Ordem do Mérito Cultural 2018, concedida pelo Ministério da Cultura, a partir de indicações de diversos setores, a realizadores de trabalhos culturais importantes nas áreas de inclusão social, artes, audiovisual e educação. A Orquestra foi agraciada, ainda, com a Ordem de Rio Branco, insígnia diplomática brasileira cujo objetivo é distinguir aqueles cujas ações contribuam para o engrandecimento do país.

O corpo artístico Orquestra Filarmônica de Minas Gerais é oriundo de política pública formulada pelo Governo do Estado de Minas Gerais. Com a finalidade de criar a nova orquestra para o Estado, o Governo optou pela execução dessa política por meio de parceria com o Instituto Cultural Filarmônica, uma entidade privada sem fins lucrativos qualificada com os títulos de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e de Organização Social (OS), um modelo de gestão flexível e dinâmico, baseado no acompanhamento e avaliação de resultados.

 

 

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