Escrito por em 20 maio 2019 nas áreas Lateral, Minas Gerais, Música sinfônica, Programação

Concerto da série “Fora de série”

A Filarmônica de Minas Gerais mostra a conexão entre Música, Fauna e Flora em concerto da série Fora de Série, no sábado dia 25 de maio, às 18h, na Sala Minas Gerais, sob a batuta do maestro Fábio Mechetti. Para ilustrar a comunhão ecológica entre seres humanos e seu meio ambiente, a Orquestra escolheu um repertório muito bacana.

Em 2019, a série Fora de Série, com nove concertos ao longo do ano, irá explorar a conexão da música com outras manifestações humanas, como dança, teatro, cinema, fauna e flora, guerra e paz, mitologia, pintura, religiosidade e a literatura.

Este concerto é apresentado pelo Ministério da Cidadania e Governo de Minas Gerais e conta com o Patrocínio da Aliança Energia e do Banco Votorantim por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

 

PROGRAMA

Takashi Yoshimatsu (1953)
Trenodia para Toki, op. 12

Giacomo Puccini (1858 – 1924)
Os Crisântemos

Ottorino Respighi (1879 –1936)
Os Pássaros

Alan Hovhaness (1911 – 2000)
E Deus criou as grandes baleias, op. 229, nº 1

Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959)
Floresta do Amazonas (excertos)

 


Sobre as obras escolhidas

Trenodia

É o nome dado a um canto fúnebre, ou a uma ode a um assunto triste. Se usarmos este caminho para entender a composição de Takashi Yoshimatsu, fica ainda mais compreensível a interseção que Trenodia para Toki traz entre uma composição de beleza ímpar, mas, simultaneamente, dotada de uma tristeza inconformada. Toki é a ave símbolo do Japão, declarada extinta em 1981, quando os seis exemplares remanescentes foram capturados pelo governo na tentativa malsucedida de gerar novos filhotes.

No mesmo ano, o opus 12 de Yoshimatsu estreava pela Sinfônica do Japão, com regência de Kazuo Yamada. A disposição da orquestra no palco evocava o formato do pássaro: o piano, ao centro, representa o corpo; os contrabaixos, ao fundo, a cauda; as cordas espelhadas, metade do lado esquerdo e metade do lado direito, são as asas; e o maestro é a cabeça.

No fim da década de 1980, o toki foi redescoberto na China. Em 1999, o Japão ganhou de presente um casal de tokis: Youyou e Yangyang, que no mesmo ano deram à luz o primeiro filhote japonês gerado por incubação artificial. Hoje, Japão e China já contam mais de 600 aves da espécie. Em 2010, Filarmônica fez a estreia de Trenodia para Toki no Brasil. À época, o nosso maestro Fábio Mechetti explicou: “Toda música tem um pouco dos costumes e do folclore do país em que é feita. A do Japão, que chega a incorporar instrumentos tradicionais em algumas peças, é mais contemplativa, até pela própria cultura local. Essa de Trenodia para Toki, por exemplo, não tem pulso, batida. A música japonesa, em geral, tem essa característica. É uma outra noção de tempo”.

 

Os crisântemos

A marca registrada de Giacomo Puccini é a ópera. As peças La bohème, Tosca, Madame Butterfly e Turandot estão entre as mais executadas em salas pelo mundo. Ainda que o próprio Puccini tenha reconhecido que o seu verdadeiro talento seja visto “nos teatros”, são poucos os trabalhos não-operísticos que escreveu. Alguns deles merecem atenção, como a elegia Os Crisântemos, originalmente composta para quarteto de cordas em 1890, mas arranjada para orquestra de cordas posteriormente, por Lucas Drew – é nesta versão que ficou conhecida ao longo do século XX.

A inegável afinidade com o quarteto de cordas, no entanto, acrescenta um tom à dualidade simbólica do crisântemo. Em algumas culturas, o crisântemo é comumente associado à velhice e à sabedoria por florescer no outono, no fim da época de cultivo. No entanto, na Itália, onde nasceu o compositor, as flores são usadas somente como decoração em funerais. O título da peça, escrita em homenagem ao Príncipe Amadeu de Espanha, morto em janeiro de 1980, trata de uma metáfora e homenagem a esse episódio.

 

Os pássaros

Em seus melhores momentos, a música de Ottorino Respighi exibe uma inventividade de orquestração só comparável, em seu tempo, à de Ravel. Nenhum compositor italiano depois de Puccini conquistou tamanha popularidade internacional. E Os pássaros, de 1928, é sem dúvida alguma um dos melhores trabalhos orquestrais dele.

A obra toma evocações de animais feitas por compositores dos séculos XVII e XVIII para sujeitá-las a requintes de orquestração aprendidos por Respighi no estudo de partituras de Richard Strauss e nas críticas de Rimsky-Korsakov a seus trabalhos iniciais (1900–1903). Após o Prelúdio baseado em uma ária de Bernardo Pasquini, o compositor nos apresenta quatro pássaros: La colomba (A pomba), inspirada por obra do francês Jacques de Gallot; La gallina (A galinha), derivado de um trabalho para cravo de Rameau; L’usignolo (O rouxinol), a partir de uma melodia inglesa de autor desconhecido; Il Cucù (O cuco), último movimento que retoma o tema original de Pasquini.

 

E Deus criou as grandes baleias

Algumas espécies de baleias produzem sons previsíveis e regulares. As belugas, por exemplo, são apelidadas de “canários do mar” em razão do volume e frequência do seus cantos, gritos e assobios. Essa cantoria tem diversas funções, como se comunicar e encontrar comida ou buracos no gelo do Oceano Ártico por onde possam respirar! Apresentado ao universo das baleias pelo regente Andre Kostelanetz e pelo professor e zoólogo Roger S. Payne, Alan Hovhaness ficou imediatamente inspirado. Recebeu diversas fitas de Payne, que continham o canto de jubartes nas ilhas Bermudas.

O trabalho final inclui trechos do canto de baleias fornecidos pelo professor e outros estudiosos intercalados com sons produzidos pela massa orquestral, como explicou o próprio Hovhaness em um comentário deixado em sua partitura: “Passagens liberadas do ritmo, cada instrumento de corda sendo tocado de forma independente – tudo isso traz a ideia de baleias em um vasto oceano. A melodia pentatônica indica a imensidão do amplo céu oceânico. Montanhas submarinas sobem e descem em trompas, trombones e tubas. A música das baleias também sobe e desce como cordilheiras (…), emergem como um gigantesco mítico pássaro marinho. A humanidade não existe, ainda não nasceu na particular solidão da natureza”.

 

Floresta do Amazonas

A grande arte é a própria Natureza”, dizia Heitor Villa-Lobos. Além dos elementos naturais, ele soube captar toda a gama de influências folclóricas e populares de nossa cultura e aplicá-las em sua música. Na década de 1950, compôs Erosão, baseada em lenda sobre a origem do rio Amazonas; Alvorada na floresta tropical; Rudá, Deus do Amor, contando a história das Américas pré-colombianas e a Sinfonia “Ameríndia”, um oratório sobre versos do Padre José de Anchieta.

Sua última composição inspirada nessa “terra extensa, generosa e quente” foi a trilha sonora para o filme Green Mansions (A flor que não morreu) de 1958, no qual a atriz Audrey Hepburn interpreta uma menina da selva. Um ano antes de sua morte, a versão para concerto desta trilha foi rebatizada de Floresta do Amazonas.

 

 

SERVIÇO

 


Série Fora de Série – Música, Fauna e Flora


Dia 25 de maio, sábado, às 18h

 

Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto – BH)

Ingressos: R$ 46 (Coro) R$ 52 (Balcão Palco) R$ 52 (Mezanino), R$ 70 (Balcão Lateral), R$ 96 (Plateia Central) e R$ 120 (Balcão Principal).

Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

Ingressos para o setor Coro serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

Ingressos comprados na bilheteria não têm taxa de conveniência.

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

 

Funcionamento da bilheteria:

Sala Minas Gerais – Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto

De terça-feira a sexta-feira, das 12 às 20h.

Aos sábados, das 12 às 18h.

Em quintas e sextas de concerto, das 12 às 22h

Em sábados de concerto, das 12 às 21h.

Em domingos de concerto, das 9 às 13h.

 

São aceitos cartões com as bandeiras Amex, Aura, Redecard, Diners, Elo, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.

 

 

Fábio Mechetti

Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008, Fábio Mechetti posicionou a orquestra mineira no cenário mundial da música erudita. Além dos prêmios conquistados, levou a Filarmônica a quinze capitais brasileiras, a uma turnê pela Argentina e Uruguai e realizou a gravação de oito álbuns, sendo três para o selo internacional Naxos. Natural de São Paulo, Mechetti serviu recentemente como Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornando-se o primeiro regente brasileiro a ser titular de uma orquestra asiática.

Nos Estados Unidos, Mechetti esteve quatorze anos à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville e, atualmente, é seu Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane, da qual hoje é seu Regente Emérito. Regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com ela dirigiu concertos no Kennedy Center e no Capitólio. Da Sinfônica de San Diego, foi Regente Residente. Fez sua estreia no Carnegie Hall de Nova York conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey. Continua dirigindo inúmeras orquestras norte-americanas e é convidado frequente dos festivais de verão norte-americanos, entre eles os de Grant Park em Chicago e Chautauqua em Nova York.

Igualmente aclamado como regente de ópera, estreou nos Estados Unidos dirigindo a Ópera de Washington. No seu repertório destacam-se produções de Tosca, Turandot, Carmem, Don Giovanni, Così fan tutte, La Bohème, Madame Butterfly, O barbeiro de Sevilha, La Traviata e Otello.

Suas apresentações se estendem ao Canadá, Costa Rica, Dinamarca, Escócia, Espanha, Finlândia, Itália, Japão, México, Nova Zelândia, Suécia e Venezuela. No Brasil, regeu todas as importantes orquestras brasileiras.

Fábio Mechetti é Mestre em Regência e em Composição pela Juilliard School de Nova York e vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, da Dinamarca.

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Criada em 2008, desde então a Filarmônica de Minas Gerais se apresenta regularmente em Belo Horizonte. Em sua sede, a Sala Minas Gerais, realiza 57 concertos de assinatura e 12 projetos especiais. Apresentações em locais abertos acontecem nas turnês estaduais e nas praças da região metropolitana da capital. Em viagens para fora do estado, a Filarmônica leva o nome de Minas ao circuito da música sinfônica. Através do seu site, oferece ao público diversos conteúdos gratuitos sobre o universo orquestral.

O impacto desse projeto artístico, não só no meio cultural, mas também no comércio e na prestação de serviços, gera em torno de 5 mil oportunidades de trabalho direto e indireto a cada ano. Sob a direção artística e regência titular do maestro Fabio Mechetti, a Orquestra conta, atualmente, com 90 músicos provenientes de todo o Brasil, Europa, Ásia, Américas Central e do Norte e Oceania, selecionados por um rigoroso processo de audição. Reconhecida com diversos prêmios culturais e de desenvolvimento econômico, ao encerrar seus 10 primeiros anos de história, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais recebeu a principal condecoração pública nacional da área da cultura.

Trata-se da Ordem do Mérito Cultural 2018, concedida pelo Ministério da Cultura, a partir de indicações de diversos setores, a realizadores de trabalhos culturais importantes nas áreas de inclusão social, artes, audiovisual e educação. A Orquestra foi agraciada, ainda, com a Ordem de Rio Branco, insígnia diplomática brasileira cujo objetivo é distinguir aqueles cujas ações contribuam para o engrandecimento do país.

O corpo artístico Orquestra Filarmônica de Minas Gerais é oriundo de política pública formulada pelo Governo do Estado de Minas Gerais. Com a finalidade de criar a nova orquestra para o Estado, o Governo optou pela execução dessa política por meio de parceria com o Instituto Cultural Filarmônica, uma entidade privada sem fins lucrativos qualificada com os títulos de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e de Organização Social (OS), um modelo de gestão flexível e dinâmico, baseado no acompanhamento e avaliação de resultados.

 

 

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