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Todas as sinfonias de Beethoven no Municipal SP

Roberto Minczuk rege as nove sinfonias do gênio alemão

A partir do dia 31 de maio, o público poderá assistir a um dos programas mais especiais da temporada de 2019 da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo: Beethoven Total. Os músicos apresentarão o ciclo completo das sinfonias de Ludwig van Beethoven durante os dias 31 de maio, 1 e 2 junho. O maestro titular Roberto Minczuk é o regente de todos os concertos. Os ingressos variam de R$12 a R$40.

Na estreia, sexta-feira (31), às 20h, os músicos apresentam as duas primeiras sinfonias de Beethoven. O ciclo é um marco na história mundial da música. A segunda obra foi composta em 1802 – ano em que Beethoven expôs, no Testamento de Heiligenstadt, sua angústia causada pela surdez.

No dia seguinte, sábado (1), às 17h, é o momento de ouvir as sinfonias número 3 e 4. A terceira obra do ciclo, escrita em 1803, foi dedicada a Napoleão Bonaparte, porém após Napoleão se coroar como imperador, o compositor retirou sua dedicatória. Considerada por muitos como o início do romantismo, a 3ª sinfonia é a mais longa e a chamou de ‘Eroica’ pelo caráter triunfante. Já a Sinfonia de nº4, composta em 1804, representa uma melodia mais camerística (em contraste com a terceira).

Ainda no mesmo dia (1), às 20h, os músicos voltam para o palco para apresentar as sinfonias 5 e 6. Conhecida também como Sinfonia do Destino, a quinta peça é uma das mais populares ao redor do mundo. Segundo o maestro Roberto Minczuk, “com 4 notas o compositor conseguiu construir todo um universo sinfônico. Essas notas se tornaram o tema musical mais universal que se conhece; qualquer um é capaz de reconhecer o tema da quinta de Beethoven, no mundo inteiro, em qualquer canto do planeta. ”

Após a quinta composição do ciclo, o público poderá contemplar a Sinfonia Pastoral. Cansado da vida da cidade e passando por muitas dificuldades, Beethoven parte para o interior, onde se inspira diante da natureza para escrever a Sinfonia nº6.  A obra é um cântico de gratidão a Deus pela vida, pela natureza.

No domingo (2), às 17h, a Orquestra continua com o intenso ritmo e executa as duas próximas sinfonias. “A sétima sinfonia é uma explosão de alegria, de euforia, principalmente no seu último movimento”, afirma o maestro. Em seguida, os músicos transformam o intenso ritmo em uma sonoridade mais leve e divertida com a Sinfonia nº8. Nesta composição, o autor retorna para as suas raízes; é possível identificar na obra o estilo mais clássico e simples de Joseph Haydn, professor de Beethoven.

No período da noite, às 20h, os músicos voltam ao palco para finalizar a maratona interpretando uma das peças mais famosas: Sinfonia nº 9. A última obra do concerto tem a presença do Coro Lírico e do Coral Paulistano, além dos solistas Lina Mendes, Keila de Moraes, Fernando Portari e Sávio Sperandio.

Em meio às dificuldades e tantos desafios na vida, Beethoven ainda escolheu a música como escudo e espada para continuar a viver. O compositor já estava completamente surdo quando começou a escrever a sinfonia n° 9. “Que contradição, um gênio da música, aquele que se dedica a escrever as coisas mais belas que os ouvidos podem escutar, ele próprio perde a capacidade de ouvir. A música não está no ouvido, está no coração, na mente, na alma. Então isso não impossibilitou ele de continuar compondo. A nona sinfonia é a sua história, é um milagre; ela é autobiográfica”, afirma Minczuk.

O primeiro movimento da nona é marcado por questionamentos e revoltas contra a vida e contra Deus. Já no segundo momento, as indagações dão espaço a um desespero de uma forma mais energética. “A sua insistência e a sua escrita demonstra isso – como se ele estivesse dizendo: não desistirei, vou lutar enquanto eu respirar.”

No terceiro movimento – Adagio, é o momento que o compositor traz temas simples, de muita reflexão, onde ele apresenta perguntas e finalmente o encontro de suas respostas. “Apesar de tudo, permanece o sentimento de gratidão, de que valeu a pena, mesmo em meio às adversidades a gente deve ser feliz pela vida. ”

No quarto e último movimento, Beethoven se utiliza de um texto do poeta Schiller para deixar seu legado para as próximas gerações. “Ele ali faz uma confissão de fé, de que a humanidade foi prevista para viver em harmonia e paz, que as pessoas foram destinadas a viverem como família e que acima das estrelas deve haver um Pai amoroso que cuida, olha para a humanidade e insiste em que nos abracemos e que deixemos os ruídos da vida de lado e olhemos para Ele. É a celebração da vida, da alegria, da união entre os povos, entre as pessoas e na fé de que existe algo além das estrelas”, finaliza Minczuk.

 


SERVIÇO

 

Dia 31 de maio, sexta-feira, às 20h

Ludwig v. Beethoven
Sinfonia nº 1 em Do maior op. 21

Ludwig v. Beethoven:
Sinfonia nº 2 em Ré maior op. 36

Dia 01 de junho, sábado, às 17h

Ludwig v. Beethoven
Sinfonia nº 3 em Mi bemol maior op. 55

Ludwig v. Beethoven
Sinfonia nº 4 em Si bemol maior op. 60

 

Dia 01 de junho, sábado, às 20h

Ludwig v. Beethoven
Sinfonia nº 5 em Do menor op. 67

Ludwig v. Beethoven
Sinfonia nº 6 em Fá maior op. 68

 

Dia 02 de junho, domingo, às 17h

Ludwig v. Beethoven
Sinfonia nº 7 em La maior op. 92

Ludwig v. Beethoven
Sinfonia nº 8 em Fá maior op. 93

 

Dia 02 de junho, domingo, às 20h

Ludwig v. Beethoven
Sinfonia nº 9 em Dó menor op. 125

 

Theatro Municipal de São Paulo (Praça Ramos de Azevedo, s/no. – Centro – São Paulo – 11 2626 0857)

Ingressos: R$ 40,00 / R$ 30,00 / R$ 12,00 pelo site www.eventim.com.br. ou na bilheteria do Theatro Municipal de São Paulo

Horário da Bilheteria do Theatro Municipal: de segunda a sexta-feira, das 10 às 19h, e sábados e domingos, das 10 às 17h

Indicação etária: Livre (sugerido para maiores de 7 anos)

 

Roberto Minczuk

Regente titular da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Roberto Minczuk celebra 25 anos de carreira este ano. O maestro já regeu mais de 100 orquestras internacionais e ocupou o cargo de maestro associado da Orquestra Filarmônica de Nova York, posição ocupada pela última vez pelo grande compositor, pianista e maestro Leonard Bernstein. Minczuk ganhou um Grammy Latino pelo álbum Jobim Sinfônico e o Emmy à frente do New York City Ballet. Além de regente da OSM, Minczuk também é maestro emérito da Orquestra Sinfônica Brasileira e maestro emérito da Orquestra Filarmônica de Calgary, no Canadá.


Orquestra Sinfônica Municipal

A história da Orquestra Sinfônica Municipal (OSM) se mistura com a da música orquestral em São Paulo, com participações memoráveis em eventos como a primeira Temporada Lírica Autônoma de São Paulo, com a soprano Bidu Sayão; a inauguração do Estádio do Pacaembu, em 1940; a reabertura do Theatro Municipal, em 1955, com a estreia da ópera Pedro Malazarte, regida pelo compositor Camargo Guarnieri; e a apresentação nos Jogos Pan-Americanos de 1963, em São Paulo. Estiveram à frente da orquestra os maestros Arturo de Angelis, Zacharias Autuori, Edoardo Guarnieri, Lion Kaniefsky, Souza Lima, Eleazar de Carvalho, Armando Belardi e John Neschling. Roberto Minczuk é o atual regente titular da OSM.

 

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