Escrito por em 13 jun 2019 nas áreas Lateral, Minas Gerais, Música sinfônica, Programação

Um concerto da série “Fora de Série”

Em concerto da série Fora de Série, no dia 15 de junho, às 18h, na Sala Minas Gerais, a Filarmônica de Minas Gerais une Música e Mitologia. Seja com o fogo de Prometeu, o amor de Eros e Psiquê ou o inferno de onde Orfeu resgata Eurídice, compositores de diferentes épocas escreveram obras musicais que espelham esse desejo universal de nos conhecermos. Concerto tem regência do maestro Marcos Arakaki.

Em 2019, a série Fora de Série, com nove concertos ao longo do ano, irá explorar a conexão da música com outras manifestações humanas, como dança, teatro, cinema, fauna e flora, guerra e paz, mitologia, pintura, religiosidade e a literatura.

Este concerto é apresentado pelo Ministério da Cidadania e Governo de Minas Gerais e conta com o Patrocínio da Aliança Energia e do Banco Votorantim por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

 

 

PROGRAMA

Ludwing van Beethoven (1770 – 1827)
As criaturas de Prometeu, op. 43: Abertura

Beethoven escreveu a música para o balé  As criaturas de Prometeu, de Salvatore Viganò, entre a composição de suas duas primeiras sinfonias. Prometeu mostra Beethoven explorando efeitos orquestrais que jamais apareceriam em suas sinfonias, porém, mais tarde, ele usaria material do balé nas Variações para piano op. 35 e no finale da Sinfonia Eroica.


Franz Liszt
(1811 – 1886)
Prometeu, Poema sinfônico nº 5

Na tragédia Prometeu Acorrentado, atribuída ao dramaturgo grego Ésquilo, Prometeu é um titã que rouba faíscas da carruagem de fogo dos deuses. Pela traição de entregar fogo à humanidade, ele foi acorrentado a uma pedra como punição. Irresistível para compositores do século XIX, a história foi usada em diversas composições e serviu como insumo para peças que buscam no mitológico um entendimento para a sociedade.

Meio século depois da estreia de As criaturas de Prometeu, de Beethoven, em 1801, foi a vez de Franz Liszt abordar o mito no quinto poema sinfônico de sua carreira. “Sofrimento e apoteose” foi a maneira como Liszt resumiu o processo de composição: o modo tormentoso, sensual e tempestuoso de expressão oferece uma peça musical constituída de uma angústia profunda cujo triunfo é obtido pela energia e perseverança. Como pontuou o biógrafo Alan Walker, em Prometeu, “Liszt também roubou fogo do céu, e nós continuamos gratos pelo presente”.


Claude Debussy
(1862 – 1918)
Seis epígrafes antigas

O deus Pã (ou Fauno, seu equivalente na mitologia romana) é uma figura recorrente nas composições de Debussy. Intitulada Pour invoquer Pan, die udu vent d’été (Para invocar Pã, deus do vento do verão), a primeira peça de Seis epígrafes antigas personifica a eterna dualidade entre o humano e o animal: Pã fora rejeitado pela ninfa Siringe por ter orelhas, chifres e pernas de bode.

Em carta ao seu editor Jacques Durand, em 11 de julho de 1914, Debussy explica que “tinha a intenção de fazer uma sequência orquestral, mas os tempos são difíceis, e a vida tem sido dura”. Criada inicialmente para piano a quatro mãos, as epígrafes foram a última composição de Debussy antes da eclosão da I Guerra Mundial. A versão para grande orquestra só chegou em 1932, pelas mãos de Ernest Ansermet.


César Franck
(1822 – 1890)
Psiquê e Eros

Obras como Sinfonia em ré menor e Variações Sinfônicas parecem ter eclipsado as demais obras sinfônicas de César Franck. Entre os trabalhos indevidamente negligenciados de seu repertório está o poema sinfônico Psiquê. Por sua conhecida devoção cristã, a peça é um ponto fora da curva na carreira do compositor. Inspirada no romance Metamorfoses, escrito em latim por Lúcio Apuleio, o quarto movimento da obra, intitulado Psiquê e Eros, narra o encontro dos dois amantes.

Com ciúme da beleza da mortal Psiquê, a deusa Afrodite (Vênus) convence seu filho Eros (Cupido) a lançar um feitiço para que ninguém se apaixone por ela. Ele lança sua flecha, mas fere a si mesmo e acaba se apaixonando por Psiquê. Após ser enviada a uma montanha, Psiquê finalmente consegue se juntar a Eros, mas desobedece a instrução de não olhar seu rosto, ação pela qual é punida. As três partes de Psiquê e Eros relatam a sua subida até a montanha, o encontro com Eros e sua punição e subsequente redenção.


Franz von Suppé
(1819 – 1895)
A bela Galateia: Abertura

Franz von Suppé está no seu melhor momento em A bela Galateia: Abertura, de 1865. Na França daquela época, um dos gêneros de teatro e operetta mais famosos eram as paródias de contos mitológicos. Tragédias gregas eram recontadas em tons cômicos, uma linha que Offenbach, contemporâneo de Suppé, dominara com maestria. Na adaptação de A bela Galateia, Suppé pega emprestada a ideia de seu colega francês. O enredo distorce o mito de Pigmalião e Galateia.

 

Christoph Willibald Gluck (1714 – 1787)
Orfeu e Eurídice: Dança das fúrias

Durante mais de três séculos, o mito de Orfeu permaneceu como um dos temas mais recorrentes em óperas. Gluck, mais do que qualquer outro, deu novos ares ao já conhecido personagem. Diferentes versões de Orfeu e Eurídice foram produzidas, seguindo diferentes escolas operísticas com o intuito de atender aos anseios de diferentes públicos.


Jacques Offenbach
(1819 – 1880)
Orfeu no Inferno: Abertura

Conta a lenda que Orfeu foi o melhor músico que já pisou na terra. Com o poder da música, domou animais selvagens, fez com que as árvores o seguissem e despertou para a vida seres inanimados. Ele tocou tão divinamente a lira que todos pararam para ouvi-lo. Quando sua amadíssima esposa, Eurídice, morreu, foi buscá-la no Hades, e a força de sua lágrima suavizou até o severo deus dos mortos…

Mas, a versão de Jacques Offenbach para Orfeu no Inferno é de outra ordem. Escrita como ópera burlesca, transformou-se em uma sátira na qual Orfeu e Eurídice não levam uma típica vida de casal – estão cansados um do outro e, por isso, já nenhum deles é fiel aos votos do matrimônio. Enquanto Orfeu se encanta com as suas belas alunas, Eurídice jura amor a Aristeu. Depois de descoberta a traição e em prol da sua imagem, Orfeu prepara a morte do amante da mulher e esta corre para lhe contar os planos do marido…

Aristeu (na verdade, Plutão disfarçado) atrai Eurídice e toma o mesmo veneno que ela, em nome do amor. Ela morre e é conduzida por Aristeu/Plutão para o inferno. Orfeu fica feliz com a morte da mulher, mas, para seu infortúnio, a opinião pública exige que vá salvá-la.

 

SERVIÇO

 


Fora de Série – Música e Mitologia


Dia 15 de junho, sábado, às 18h


Sala Minas Gerais
(Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto – BH)

Ingressos: R$ 46 (Coro) R$ 52 (Balcão Palco) R$ 52 (Mezanino), R$ 70 (Balcão Lateral), R$ 96 (Plateia Central), R$ 120 (Balcão Principal), Camarote par (R$ 140).

Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

Ingressos para o setor Coro serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

Ingressos comprados na bilheteria não têm taxa de conveniência.

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

 

Funcionamento da bilheteria:
Sala Minas Gerais – Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto
De terça-feira a sexta-feira, das 12 às 20h.
Aos sábados, das 12 às 18h.
Em quintas e sextas de concerto, das 12 às 22h
Em sábados de concerto, das 12 às 21h.
Em domingos de concerto, das 9 às 13h.

São aceitos cartões com as bandeiras Amex, Aura, Redecard, Diners, Elo, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.

 

 

Marcos Arakaki – regente

Marcos Arakaki teve seu talento reconhecido a partir de 2001, quando venceu o Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes, promovido pela Orquestra Petrobras Sinfônica. Desde então, tem dirigido as principais orquestras brasileiras, além da Filarmônica de Buenos Aires, de Karkhiv na Ucrânia, a Boshlav Martinu na República Tcheca, a Sinfônica de Xalapa e da Universidade Autônoma do México.

Concluiu bacharelado em Música pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e mestrado em Regência Orquestral pela University of Massachusetts. No Aspen Music Festival and School, Estados Unidos, recebeu orientações de David Zinman, Kurt Masur, Charles Dutoit e Sir Neville Marriner. Atuou como regente titular da Orquestra Sinfônica da Paraíba e assistente da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB).

Como regente titular, promoveu uma elogiada reestruturação na Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem. Recebeu o Prêmio Camargo Guarnieri, concedido pelo Festival Internacional de Campos do Jordão, e gravou com a OSB a trilha do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass.

Arakaki tem acompanhado importantes artistas, tais como Gabriela Montero, Sergio Tiempo, Anna Vinnitiskaya, Sofya Gulyak, Ricardo Castro, Pinchas Zukerman, Rachel Barton Pine, Chloë Hanslip, Luíz Fílip, Victor Julien-Laferrière, Günter Klaus, Eddie Daniels, David Gérrier e Yamandu Costa.

Desenvolve atividades como coordenador pedagógico, professor e palestrante em projetos culturais, universidades e conservatórios. Professor visitante da Universidade Federal da Paraíba por dois anos, contribuiu para a consolidação da recém-criada Orquestra Sinfônica da UFPB.

Marcos Arakaki é regente associado da Filarmônica de Minas Gerais e colabora com a Orquestra desde 2011, com destacada atuação nos concertos para formação de público. É autor do livro A História da Música Clássica Através da Linha do Tempo, lançado em 2019.

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Criada em 2008, desde então a Filarmônica de Minas Gerais se apresenta regularmente em Belo Horizonte. Em sua sede, a Sala Minas Gerais, realiza 57 concertos de assinatura e 12 projetos especiais. Apresentações em locais abertos acontecem nas turnês estaduais e nas praças da região metropolitana da capital. Em viagens para fora do estado, a Filarmônica leva o nome de Minas ao circuito da música sinfônica. Através do seu site, oferece ao público diversos conteúdos gratuitos sobre o universo orquestral. O impacto desse projeto artístico, não só no meio cultural, mas também no comércio e na prestação de serviços, gera em torno de 5 mil oportunidades de trabalho direto e indireto a cada ano.

Sob a direção artística e regência titular do maestro Fabio Mechetti, a Orquestra conta, atualmente, com 90 músicos provenientes de todo o Brasil, Europa, Ásia, Américas Central e do Norte e Oceania, selecionados por um rigoroso processo de audição. Reconhecida com diversos prêmios culturais e de desenvolvimento econômico, ao encerrar seus 10 primeiros anos de história, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais recebeu a principal condecoração pública nacional da área da cultura. Trata-se da Ordem do Mérito Cultural 2018, concedida pelo Ministério da Cultura, a partir de indicações de diversos setores, a realizadores de trabalhos culturais importantes nas áreas de inclusão social, artes, audiovisual e educação. A Orquestra foi agraciada, ainda, com a Ordem de Rio Branco, insígnia diplomática brasileira cujo objetivo é distinguir aqueles cujas ações contribuam para o engrandecimento do país.

O corpo artístico Orquestra Filarmônica de Minas Gerais é oriundo de política pública formulada pelo Governo do Estado de Minas Gerais. Com a finalidade de criar a nova orquestra para o Estado, o Governo optou pela execução dessa política por meio de parceria com o Instituto Cultural Filarmônica, uma entidade privada sem fins lucrativos qualificada com os títulos de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e de Organização Social (OS), um modelo de gestão flexível e dinâmico, baseado no acompanhamento e avaliação de resultados.

 

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