CríticaLateralÓperaRio de Janeiro

Aprendendo a pisar no palco

Ópera de Donizetti passou pelo Salão Leopoldo Miguez e segue para Niterói

Uma das comédias mais populares do repertório lírico, L’Elisir d’Amore (O Elixir do Amor), de Gaetano Donizetti, foi apresentada no Salão Leopoldo Miguez entre os dias 27 e 30 de junho. A produção é mais um título do projeto “Ópera na UFRJ”, uma iniciativa acadêmica que está completando bodas de prata (25 aniversários) neste ano de 2019, reunindo as Escolas de Música, de Belas Artes e de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Nesse tipo de espetáculo universitário, não há nada mais importante para os alunos de canto do que a oportunidade de se experimentarem no palco, cantando e atuando, seja como solistas, seja integrando o coro. Ter por perto profissionais experientes transmitindo as suas vivências enriquece ainda mais a iniciativa, mantendo viva a tradição da ópera dentro do ambiente acadêmico.

Estive no Salão Leopoldo Miguez no dia 27 de junho e o mais gratificante foi conferir o envolvimento e o apoio irrestrito do público, bem como a energia e o empenho dos artistas e alunos que participaram da montagem. Sem pesar a mão, e considerando as condições técnicas do espaço, a encenação da obra de Donizetti, assinada por Menelick de Carvalho, foi bem realizada. O cenário criado e confeccionado pela equipe coordenada por Andréa Renck mostrou-se bastante funcional e bonito visualmente. Os figurinos, sob a responsabilidade da equipe coordenada por Desirée Bastos, também cumpriram bem a sua missão. A luz de José Henrique Moreira fez o que pôde com os equipamentos disponíveis.

A Orquestra Sinfônica da UFRJ apresentou-se bem, apesar de alguns escorregões vez ou outra, sob a regência de um animado Sílvio Viegas. O coro Brasil Ensemble-UFRJ, preparado por Maria José Chevitarese, também derrapou aqui ou ali, mas no geral apresentou boa sonoridade.

Não foi difícil perceber que os solistas que cantaram no dia 27 se encontram em diferentes estágios de formação, alguns mais avançados, outros ainda com bastante a evoluir em termos técnicos. Por isso, citarei aqui apenas o que mais me agradou: a desenvoltura cênica de Helena Lopes como Giannetta, e a bela e promissora voz de Amanda Gonzalez, que interpretou a protagonista Adina.

Depois das apresentações no Rio de Janeiro, a trupe segue para Niterói e se apresenta no Teatro Municipal João Caetano nos dias 05, 06 e 07 de julho.


Mais oportunidades

Se encenar uma ópera acaba tendo custos maiores mesmo em ambiente acadêmico, talvez uma possibilidade de o projeto “Ópera na UFRJ” dar oportunidades a um número maior de jovens cantores seja apresentar também óperas em forma de concerto, sem, claro, abandonar a ópera encenada que já costuma oferecer pelo menos uma vez por ano. Quem sabe, com a ópera em forma de concerto complementando a série, não seja possível aumentar o número de títulos para dois ou três por ano?

 

Foto – internet

Faça seu comentário
Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com