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Festival de Juiz de Fora homenageia Scarlatti

O maior compositor de cantatas da história da música.

Um dos compositores mais prolíficos de todos os tempos é homenageado na apresentação do dia 26, no Teatro Paschoal Carlos Magno, como parte da programação do 30º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga – o italiano Alessandro Scarlatti (1660-1725). Scarlatti, cujo nome verdadeiro era Pietro Alessandro Gaspari, escreveu mais de cem óperas. Se esse número já impressiona, ainda mais admirável é sua produção de cantatas: o italiano é o maior compositor de cantatas da história da música. Calcula-se que ele escreveu mais de três mil cantatas, mas “apenas” cerca de 800 composições desse gênero de sua autoria sobreviveram até hoje.

Com esta fértil produção, Scarlatti é considerado um autor de grande importância para a música lírica do período barroco, fundamental para o desenvolvimento da ópera séria e bufa. Com o concerto Ardo è per te amore, o Festival traz para o público alguns exemplares da vasta produção de cantatas de Alessandro Scarlatti. A soprano brasileira Veruschka Mainhard se une ao alaudista italiano Diego Leverić e ao cravista Robson Bessa, que também dirige o concerto, para apresentar as virtudes do compositor.

 

Dores de amor

Scarlatti produziu cantatas ao longo de toda a sua vida, destacando-se nessa forma poético-musical criada na Itália, que consiste em alternar recitativo e ária, quase invariavelmente para uma única voz com baixo contínuo. No final do século XVII e início do XVIII, instrumentos obligatti passaram a ser utilizados com a função de reforçar os affetti do texto poético. Os principais instrumentos usados foram violinos, mas também estavam presentes flautas e oboés, sendo que Alessandro Scarlatti teve um papel importante no uso de instrumentos obrigados. Graças à sua requintada formação musical e poética, o compositor pôde criar novas formas musicais como o recitativo accompagnato, para suas cantatas e óperas, e também a sinfonia tripartida que abria as óperas, formas com forte conteúdo dramático.

Cantatas são imagens mentais transformadas em poesia e música, apresentadas a um público que deveria decodificar essas imagens para se encontrar com os artistas no mundo das ideias (ou parnaso, arcádia). As letras em geral tratam do amor não correspondido de ninfas e pastores, que cantam suas dores e protestos sob um pano de fundo arcádico.

As cantatas escolhidas para o concerto do Festival demonstram o vínculo do autor com a Accademia Arcadia, na qual ingressou em 1706. Os temas pastoris presentes em todas elas são representados principalmente pela flauta doce, que era uma imagem, ou uma hypotyposis, da vida árcade e seus pastores, com suas dores de amor.

Alessandro Scarlatti nasceu em 2 de maio de 1660 na Sicília. Nada se conhece sobre sua família, mas sabe-se que por volta dos 12 anos ele estava em Roma, onde teria estudado música. Nessa cidade, ocupou o cargo de assistente de mestre de capela da Basílica de Santa Maria Maggiore. O compositor também atuou em Nápoles, onde foi mestre da capela real. Conquistou prestígio ao conseguir o patrocínio de mecenas como a rainha Cristina da Suécia, amante das artes e da filosofia, e a família Médici, em Florença, para quem compôs quatro óperas.

 

Artistas envolvidos

Soprano: Veruschka Mainhard (Brasil/Holanda)
Alaúde: Diego Leverić    (Croácia/Itália)

Músicos convidados

Flautas doces: Rotem Gilbert e Marina Mafra (Brasil)
Violoncelo barroco: Lucas Bracher (Brasil/Itália)
Cravo e direção: Robson Bessa (Brasil/Canadá/Itália)

 

PROGRAMA

G. Zamboni (1664-1721)
Ciaconna
Op.1 (1718)
– Alaúde solo

A. Scarlatti (1660-1725)
Cantata Clori mia, clori bela
– Soprano, flauta doce e baixo contínuo

S. Lanzetti
Sonata IX em lá menor, Op. 1
– Violoncelo e contínuo

A. Scarlatti (1660-1725)
Cantata  Ardo è per te amore
– Soprano, flauta doce e baixo contínuo

G. Zamboni (1664-1721)
Ceccona 

D. Scarlatti (1685-1757)
Sonata em Lá M K 208,                                                               
Sonata em ré m K 141
– Cravo solo

A. Scarlatti (1685-1757)
Cantata Augellin vago e canoro
– Soprano, 2 flautas doces e baixo contínuo

 

SERVIÇO

 

30º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga
Concerto de Canto, Cravo e Alaúde

Dia 26 de julho, sexta-feira, às 20h

Teatro Paschoal Carlos Magno (Rua Gilberto de Alencar, 97 – Centro, Juiz de Fora, MG)

Entrada franca (Os convites serão distribuídos no Centro Cultural Pró-Música no dia da apresentação, das 8h às 18h. Máximo de quatro convites por pessoa)

* Todos os concertos noturnos serão precedidos de palestras ministradas pelo Prof. Rodolfo Valverde (UFJF), com início às 19h, nos mesmos locais das apresentações.

 

 

Veruschka Mainhard

Musicista versátil, doutora em Música pela UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), Mestre em flauta transversa barroca e música antiga pela Escola Superior de Utrecht (Holanda), pianista laureada em vários concursos, Veruschka Mainhard realizou seus estudos de canto com Carol McDavit e Martha Herr no Brasil, Uta Spreckelsen na Alemanha e Marianne Blok na Holanda.

Participou de diversas masterclasses ministradas por Jean-Paul Fouchécourt, Susie le Blanc, Monique Zanetti e Maria Venuti e Laura de Souza. Como bolsista da Fundação do estado de Baden – Württemberg, aperfeiçoou-se ainda com Roland Hermann, Mitsuko Shirai, Hartmut Höll, Hilde Zadek e Jeffrey Gall na Alemanha e com Jorge Chaminé na Fundação Calouste Gulbenkian de Paris.

É Professora de Dicção e Canto da Graduação e faz parte do corpo docente do PROMUS (Mestrado Profissional em Música) da Escola de Música da UFRJ.  É preparadora vocal do Coro de Câmara Pro-Arte, do qual é integrante há quase 30 anos. Vem exercendo atividade pedagógica, ministrando vários cursos e masterclasses de canto e técnica vocal para coro.

Como camerista, vem se apresentando nas mais importantes salas de concerto do país e no exterior. Atuou como solista em óperas, oratórios e cantatas no Brasil, Alemanha e Holanda, sob a regência de, Leo Meilink, Carlos Alberto Figueiredo, Lígia Amadio, Susanne Paulsen, Aylton Escobar, João Guilherme Ripper, Ricardo Rocha, Luiz Gustavo Petri, Marco Aurélio Lischt, Ernani Aguiar, André Cardoso e Luiz Fernando Malheiro, entre outros.

Em 2011 participou como Helmwige da montagem da ópera “A Valquíria” de Wagner no Teatro Municipal de São Paulo. Em 2012 foi Carlota na estréia mundial em tempos modernos de “L’oro non compra amore”, de Marcos Portugal, sob a regência de Bruno Procópio.

Gravou diversos discos e programas para rádio e tv. Entre eles, destacam-se o “Réquiem” do Padre José Maurício Nunes Garcia, sob a regência de Ernani Aguiar e o Réquiem de Marcos Portugal, sob a regência de Ricardo Rocha. Recentemente esteve nos Estados Unidos, na Alemanha e em tournée nas Antilhas Holandesas, onde apresentou-se em recitais, tendo se apresentado também em séries importantes como os Concertos Didáticos da UFMG, Concertos Tribanco de Uberlândia e por várias vezes na Sala Cecília Meireles como solista da Sociedade Bachiana Brasileira, assim como do Ciclo Bach entre outros e apresentando-se como solista da OSB, em várias Bienais de Música Contemporânea Brasileira e estreando obras de compositores de renome, assim como obras escritas para sua voz.

Veruschka cantou como solista a obra “Les Noces” de I. Stravinsky, regida pelo maestro argentino Guillermo Scarabino, assim como o oratório “Elias” de F. Mendelssohn, regido por Ricardo Rocha e a Quarta Sinfonia de Gustav Mahler, regida por Tobias Volkmann. Participou das montagens da ópera “A Valquíria” de Wagner como Helmwige em 2011 no TMSP e em 2013 no TMRJ, ambas sob a regência do maestro Luiz Fernando Malheiro.

 

Diego Leverić

Diego Leverić usa Edicole Grevi como nome artístico. É alaudista, teorbista e guitarrista barroco, tocando em instrumentos barrocos. Seu primeiro CD solo, Weiss à Rom, recebeu a nota máxima 5 estrelas do renomado jornal de música italiano Amadeus. Com o ensemble ArtiCoolAzione e o prolífico contratenor Leandro Marziotte, gravou cantatas inéditas para o selo Arcana. Diego realiza concertos regularmente na Europa, Argentina, Brasil, Japão e China, assim como nos mais importantes teatros do mundo como: o Tchaikovsky Conservatory em Moscou; o Shanghai Symphony Hall, Fudan University, em Shanghai; o  Antonio Vivaldi Conservatory, em Alessandria; no Sanssouci Festival, em Potsdam; e no Baroque Festival “Vbv”, em Varaždin/Croatia.

 

Robson Bessa

É pós-doutorando no PPGMUS-UFMG, PNPD com bolsa da Capes, e doutor em Teoria da literatura e literatura comparada pela Fale-UFMG/ Universitá Orientale di Napoli, Mestre em Musicologia pela Esmu-UFMG, e é também especialista em Cravo pela Université de Montréal (Canadá). É professor de cravo e baixo contínuo na pós-graduação e na graduação da Escola de Música da UFMG, assim como professor da disciplina Música Poética. Iniciou os estudos de Cravo e Baixo Contínuo com Felipe Silvestre em 1991, sendo agraciado com uma bolsa de estudos para o Festival “Encontros com o Barroco” em Porto (Portugal) em 1998.

Entre 1998 e 2003, foi aluno de Ilton Wjuniski no curso completo de cravo, baixo contínuo e música de câmara barroca, realizado na Fundação Magda Tagliaferro, patrocinado pela Fundação Vitae, da qual foi bolsista de 2000 a 2002. Participou de masterclass com Edmundo Hora, Jacques Ogg, Rosna Lanzellote, Rinaldo Alessandrini, além de ter estudado órgão de tubos com Elisa Freixo e Josinéia Godinho.

Trabalha regularmente como continuísta em importantes festivais, como a Semana de Música Antiga da UFMG e o Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora, ENFLADU-Uberlândia, se apresentando também com renomados artistas, como Elena Kraineva (Rússia-EUA), Philip Hansen (EUA), spalla dos violoncelos da OFMG, Bojana Pantovic (Sérvia-OFMG), David Castelo (Brasil/Holanda), Patrice Coté, Charlotte Cumberbirch (Canadá), André Cavazzoti, Sérgio Anders, Nichola Viggiano, Oilliam Lanna, Diego Ledveric (Croácia/Itália) e António Carrilho (Portugal). Em 2003 foi um dos oito alunos de todo o mundo convidado a participar do Atelier de Musicologieet  Clavecin, sob orientação do cravista Ilton Wjuniski na AcadémieMusicalle de Villecroze, França.

Entre 2008 e 2010, cursou o mestrado em cravo e baixo contínuo sob a direção de Réjean Poirier na Université de Montréal (Canadá), da qual foi bolsista e afinador de cravos. Além disso, trabalhou como continuísta na classe da gambista Margaret Little. É uma importante referência no estudo e difusão do patrimônio musical e cultural brasileiro, sobretudo mineiro, e realizou inúmeros concertos como cravista, organista e continuísta nas principais cidades brasileiras, em Portugal, França, Paraguai, Canadá e Itália.

Em 2003, criou e dirige o grupo Musica Figurata, e se dedica ao repertório renascentista e barroco europeu e suas relações com a música colonial brasileira, com o qual fundou a série de concertos “A música colonial brasileira e suas origens”, realizada no Museu Mineiro desde 2005. Fundou e dirige a série de concertos na Faje Cultura na Faculdade Jesuíta, assim como a série Mulheres barrocas, que foi realizada no Memorial Minas Gerais, em Belo Horizonte, entre maio e agosto de 2018.

Realizou concertos em salas importantes no Canadá, na França, em Portugal, na Itália e no Paraguai, além de ter tocado nas principais capitais brasileiras, assim como em várias cidades históricas, com destaque para o Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora, o Festival internacional de Petrópolis, dentre outros.

 

 

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