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Festival Movimentos Festwochen der Autostadt

São Paulo Companhia de Dança abre o festival.

A São Paulo Companhia de Dança, corpo artístico da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela Associação Pró-Dança e dirigida por Inês Bogea, prepara-se para mais uma viagem internacional, com apresentações entre 19 e 21 de julho, em Wolfsburg, na Alemanha.

A Companhia fará a abertura da 17ª edição do Movimentos Festwochen der Autostadt e inaugurará o novo teatro Hafen 1. O repertório contará com três obras, dentre elas, duas que foram indicadas ao prêmio APCA 2019 (Associação Paulista de Críticos de Artes).

Todas as turnês internacionais são custeadas pelos contratantes do mercado de cultura internacional e para sua realização não são utilizados recursos públicos do Estado de São Paulo. É a segunda vez que a São Paulo Companhia de Dança participa do Movimentos, totalizando mais de 3.500 pessoas que prestigiaram a Companhia em 2013.

Para este ano, a São Paulo Companhia de Dança levará mais uma novidade à Wolfsburg: a estreia mundial de Trick Cell Play, do coreógrafo canadense Édouard Lock.  A obra é uma produção da Associação Pró-Dança e coprodução com o Festival Movimentos e tem como trilha sonora trechos de óperas icônicas da era romântica. O efeito de luz e sombra é quem dita o andamento da coreografia, que acaba de ser indicada como melhor espetáculo (estreia) do prêmio APCA 2019.

Após o novo trabalho de Édouard Lock, o programa também contará com a apresentação de Gnawa, do espanhol Nacho Duato; coreografia que utiliza os quatro elementos fundamentais – água, terra, fogo e ar – para tratar da relação do ser humano com o universo.

Para finalizar, será a vez da estreia europeia de Agora, de Cassi Abranches, uma obra dinâmica que aborda a palavra tempo em seus possíveis significados. A estreia nacional no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, rendeu duas indicações ao prêmio APCA: como melhor coreografia e o prêmio técnico de Sebastian Piracés pela trilha sonora.

O Movimentos Festwochen, organizado pela Autostadt, acontece entre 19 de julho e 25 de agosto, em Wolfsburg, na Alemanha. O festival de seis semanas, sob direção artística de Bernd Kauffmann, é palco de apresentações que dão espaço à expressão artística em todas as suas diferentes variedades.

 Para mais informações, acesse: spcd.com.br e movimentos.de/movimentos/movimentos-festwochen-2019/

 

As coreografias 

Trick Cell Play (2019) – estreia mundial

Produção da Associação Pró-Dança / São Paulo Companhia de Dança – uma coprodução com Movimentos Festwochen, em Wolfsburg, na Alemanha

Coreografia: Édouard Lock
Composição musical: Gavin Bryars
Diretor musical do Percorso Ensemble: Ricardo Bologna
Iluminação: Édouard Lock
Figurinos: Ulrika Van Gelder (vestidos)
Assistente de figurinos: Edmeia Evaristo (corsets)

Movimentos ligados a óperas icônicas e suas memórias coletivas e desconstruídas, a suavidade abandonada gradualmente para a entrada em um terreno niilista, refletindo tanto uma visão mais sombria das paixões expressas nessas árias quanto a fragmentação da utopia social que lhes deu origem. Uma dança como o vento na grama entre o crepúsculo e a noite. Trick Cell Play é a segunda obra do coreógrafo para a São Paulo.

Cena de Trick Cell Play, de Édouard Lock – Crédito foto: Sílvia Machado

 

Gnawa (2005)

Coreografia: Nacho Duato
Música: Hassan Hakmoun, Adam Rudolph, Juan Alberto Arteche, Javier Paxariño, Rabih Abou-Khalil, Velez, Kusur e Sarkissian
Iluminação: Nicolás Fischtel
Figurino: Luis Devota e Modesto Lomba
Remontagem: Hilde Koch e Tony Fabre (1964-2013)
Organização e produção original: Carlos Iturrioz Mediart Producciones SL (Espanha)

Gnawa é uma peça que utiliza os quatro elementos fundamentais – água, terra, fogo e ar – para tratar da relação do ser humano com o universo. A obra apresenta o reiterado interesse de Nacho Duato pela gravidade e pelo uso do solo na constituição de sua dança. Os gnawas são uma confraria mística adepta ao islamismo, descendentes de ex-escravos e comerciantes do Sul e do centro da África, que se instalaram ao longo dos séculos no norte daquele continente.

Cena de Gnawa, de Nacho Duato. Crédito foto: Sílvia Machado

 

Agora (2019) – estreia europeia

Coreografia: Cassi Abranches
Música: Sebastian Piracés
Iluminação: Gabriel Pederneiras
Figurino: Janaína de Castro

A terceira criação de Cassi Abranches para a São Paulo explora a palavra tempo em seus possíveis significados: sonoridades do tempo musical que são refletidos nos corpos dos bailarinos; forma linear na qual as coisas acontecem no passado, presente e o futuro e que dita uma ordem cronológica de acontecimentos que se transformam em lembranças e memórias; temperatura com diferentes graus e intensidades, que explode, ralenta e vibra.

É a música de Sebastian Piracés quem dita o andamento da obra: utiliza elementos de percussão afro-brasileiros, misturados ao rock contemporâneo e ao som do piano em acordes dissonantes aos efeitos de guitarra distorcidos. A voz da cantora Juliana Strassacapa soma-se à trilha musical.

Cena de Agora, de Cassi Abranches – estreia europeia no Festival. Crédito foto: Charles Lima

 

São Paulo Companhia de Dança 
Direção Artística – Inês Bogea

Criada em janeiro de 2008, a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) é um corpo artístico da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela Associação Pró-Dança e dirigida por Inês Bogéa, doutora em Artes, bailarina, documentarista e escritora.

A São Paulo é uma Companhia de repertório, ou seja, realiza montagens de excelência artística, que incluem trabalhos dos séculos XIX, XX e XXI de grandes peças clássicas e modernas a obras contemporâneas, especialmente criadas por coreógrafos nacionais e internacionais. A difusão da dança, produção e circulação de espetáculos é o núcleo principal de seu trabalho. A SPCD apresenta espetáculos de dança no Estado de São Paulo, no Brasil e no exterior e é hoje considerada uma das mais importantes companhias de dança da América Latina pela crítica especializada.

Desde sua criação, já foi assistida por um público superior a 660 mil pessoas em 17 diferentes países, passando por mais 136 cidades, em mais de 860 apresentações. Desde sua criação, a Companhia já acumulou 26 prêmios, nacionais e internacionais. Além da Difusão e Circulação de Espetáculos, a SPCD tem mais duas vertentes de ação: os Programas Educativos e de Formação de Plateia e Registro e Memória da Dança.



Inês Bogea
– Direção Artística

Doutora em Artes (Unicamp, 2007), bailarina, documentarista, escritora, professora no curso de especialização Arte na Educação: Teoria e Prática da Universidade de São Paulo (USP) e autora do “Por Dentro da Dança” com a São Paulo Companhia de Dança na Rádio CBN. De 1989 a 2001, foi bailarina do Grupo Corpo (Belo Horizonte). Foi crítica de dança da Folha de S. Paulo de 2001 a 2007. É autora de diversos livros infantis e organizadora de vários livros. Na área de arte-educação foi consultora da Escola de Teatro e Dança Fafi (2003-2004) e consultora do Programa Fábricas de Cultura da Secretaria de Cultura do Estado (2007-2008). É autora de mais de quarenta documentários sobre dança.

 

Édouard Lock – coreógrafo

Iniciou sua carreira coreográfica aos 20 anos e fundou a Companhia La La La Human Steps, em 1980. Com os passar dos anos, foi convidado a criar obras para algumas das principais companhias de dança do mundo, incluindo l’Opéra de Paris, Het Nationale Ballet da Holanda, Nederlands Dans Theater, Cullberg Ballet e Royal Ballet of Flanders.

Foi co-criador e diretor artístico da turnê mundial de David Bowie (Sound and Vision), além de trabalhar com Frank Zappa, nos shows do Yellow Shark. Outras contribuições musicais incluem nomes como: Gavin Bryars, Einstürzende Neubauten, Steve Albinni (Shellac da América do Norte), David Lang, Iggy Pop, Kevin Shields (My Blue Valentine), David Van Tiegham e a West India Company.

A convite de Robert Carson e da L’Opéra de Paris, Édouard Lock coreografou Les Boréades, uma composição de Rameau, interpretado por sua companhia LHS, no Palais Garnier. Seus trabalhos foram contemplados com os prêmios: Chalmers, New York Dance and Performance Award, Denise-Pelletier, National Arts Center Award, Benois de la Danse de Moscou, The Governor General’s Performing Arts Award, Positano Leonine Massine, além do Prêmio Molson concedido pelo Conselho Canadense de Artes e um doutorado honorário concedido pela Université du Québec.

Diversos filmes foram feitos sobre o trabalho do coreógrafo – Le Petit Musée, de Vélasquez, dirigido por Bernar Hébert e o documentário Inspirations, do britânico Michael Apted, que também incluiu Roy Lichtenstein, Tadao Ando e David Bowie, dentre outros.

A adaptação cinematográfica de Amelia, dirigida por Édouard Lock, teve a sua estreia americana no Festival de Cinema de Tribeca (2004) e na Europa, no Festival Internacional de Cinema Karlovy Vary. O filme ganhou sua categoria em festivais Internacionais de Chicago, Praga e no Festival Rose d’Or, na Suíça. Além disso, foi contemplado com dois I.C.E. (excelência em comunicação) e dois Gemini Awards para melhor direção e edição. Édouard Lock foi nomeado Cavaleiro da Ordem Nacional do Québec e Oficial da Ordem do Canadá.

 

Nacho Duato – coreógrafo

Em 1981, Jirí Kylián contratou Nacho Duato como bailarino no Nederlands Dans Theater, mas o seu talento também o fez coreógrafo. Em 1983, ele criou sua primeira coreografia: Jardí Tancat, com música de Maria del Mar Bonet. Dirigiu a Compania Nacional de Danza até 2010 e atualmente, está à frente do balé do Teatro Mikhailovsky de São Petersburgo.

 

Cassi Abranches – coreógrafa

Abranches dedica-se à dança há mais de 20 anos como bailarina e coreógrafa da cena e de obras audiovisuais em cinema e vídeo. Já atuou no Raça Cia de Dança, no Balé do Teatro Castro Alves, no Balé do Teatro Guaíra e permaneceu 12 anos como bailarina do Grupo Corpo.

Como coreógrafa, criou o espetáculo Contracapa para o Ballet Jovem do Palácio das Artes; Ariana para a Cia Jovem Bolshoi Brasil; Plano para a Cia Sesc de Dança, Suíte Branca para o Grupo Corpo e; Rio eu Te Amo – filme que reúne dez curtas. Além disso, assinou a Direção Coreográfica e de Movimento da Abertura dos Jogos Paralímpicos RIO 2016. Para a São Paulo Companhia de Dança, Cassi já criou Gen e 2º Ato do Schumann ou Os Amores do Poeta.

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