LateralÓperaProgramaçãoSão Paulo

“Rigoletto” em julho no Municipal SP

Com direção cênica de Jorge Takla, ópera traz assédio, vingança, maldição e poder

A temporada lírica de 2019 do Theatro Municipal de São Paulo traz uma das óperas mais importantes do romantismo italiano, Rigoletto de Giuseppe Verdi.  Com direção cênica de Jorge Takla e direção musical de Roberto Minczuk, a estreia acontece no dia 20 de julho, às 20h. As récitas seguem nos dias 23, 24, 26, 27 e 30, sempre às 20h, e nos domingos 21 e 28 às 18h.

O elenco conta com grandes cantores da cena lírica internacional. No papel de Rigoletto, se revezam os barítonos Fabián Veloz, argentino eleito pela Associação de Críticos Musicais da Argentina como o melhor cantor lírico de 2018, e Rodrigo Esteves, brasileiro radicado na Espanha, com passagem por diversos teatros na Europa e que faz sua estreia no papel de Rigoletto.

Como Duque de Mântua, teremos o tenor Fernando Portari, que já interpretou o mesmo papel em mais de 50 apresentações e, em 2019, completa 30 anos de carreira. Alterna com ele o tenor argentino Darío Schumunck, também já experiente no papel.

Como Gilda, a jovem soprano russa Olga Pudova, que recentemente esteve nas produções de Lucia di Lammermoor e Les Contes d’Hoffmann na Bayerische Staatsoper, de Munique; e Carla Cottini, soprano brasileira que vive em Berlim e interpretará Gilda pela primeira vez em sua carreira.

Todas as apresentações contam com a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, sob a regência de Roberto Minczuk, e com o Coro Lírico Municipal de São Paulo, preparado pelo maestro Mário Zaccaro.

 

Sinopse

A ópera em três atos, com libreto de Francesco Maria Piave, é baseada na peça Le rois’amuse (O Rei se Diverte) de Victor Hugo e faz parte da chamada trilogia popular de Verdi (junto a Il Trovatore e La Traviata). Rigoletto é um bufão corcunda da corte, de língua afiada e mordaz que serve ao Duque de Mântua, um libertino incontrolável.  Rigoletto mantém escondida em casa sua única filha, que tem permissão de sair somente para ir à missa.

E é exatamente na missa que Gilda, a filha do bufão, conhece o insaciável Duque (que se apresenta para a jovem como um pobre estudante). Os cortesãos, num gesto de vingança pelas piadas do bufão, sequestram sua filha, que será depois abusada pelo próprio Duque. O bufão decide se vingar, mas uma maldição ronda sua vida e fará com que toda a tragédia se complete.

 

Encenando Rigoletto

Rigoletto estreou no Teatro la Fenice, em Veneza, em 11 de março de 1851. Uma produção polêmica para a época, inspirada na peça O Rei se diverte, de Victor Hugo, que retratava um monarca libertino que explorava o seu criado corcunda, totalmente complexado por sua condição.  A peça, que já havia sido banida dos palcos franceses por ofender a monarquia, sofreu também censura em sua adaptação operística. Verdi insistiu (chegou a pedir ao libretista Piave que percorresse Veneza para tentar encontrar uma pessoa influente que ajudasse a liberar o texto) e acaba por adaptar o local da ação, transportando-a da França para a cidade italiana de Mântua; e o rei seria substituído por um duque.

 

.

Segundo o próprio Verdi, em uma carta ao libretista, “todo o argumento da ópera está nessa maldição que também se torna moral: no início, um pai infeliz que lamenta a honra tirada de sua filha é ridicularizado pelo bufão da corte. Em desespero, o pai o amaldiçoa. A maldição persegue então o bufão de uma forma assustadora. Parece-me grandioso”.

Jorge Takla, que já dirigiu cerca de 20 óperas e este ano completa 30 anos de direção apenas na cena lírica, considera os temas abordados pelo libreto de Rigoletto atuais e flagrantes de nossa perene condição humana. Assédio, cárcere privado, corrupção, vingança, estupro. Por isso prefere criar uma montagem que se passa no tempo sugerido pelo libreto: o século 16. “A obra essencialmente aborda o amor paterno, nada mais atual e eterno. Seria redundante e gratuito atualizá-la”, explica. Esta produção de Takla que chega a São Paulo foi apresentada originalmente em março deste ano no Teatro Colón, de Buenos Aires.

Para Roberto Minczuk, diretor musical da produção e regente titular da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, a música é o grande trunfo que conduz o enredo “Rigoletto foi considerada revolucionária na época e estabelece uma transformação no estilo de composição do Verdi. Ele passa a compor de forma menos fragmentada e a estabelecer um fluxo contínuo da música e da história, mesclando de forma única a narrativa musical com a ação dramática”.

Para Hugo Possolo, diretor artístico do Theatro Municipal, “essa encenação visa ampliar a vocação dessa casa para a ópera, trazendo por meio dessa obra consagrada uma temática relevante para o mundo contemporâneo ao falar de abuso sexual como arma de manipulação de poder”.

A ópera tem uma das árias mais famosas do repertório lírico, La donna è mobile, uma melodia tão impregnante que a Gazeta de Veneza escreveu que já na noite da estreia podia-se ouvir pessoas cantarolando pelas vielas de Veneza. Outras passagens musicais desta ópera entraram também para as listas das mais conhecidas de todos os tempos, como Caro nome, cantada por Gilda, e o quarteto Bella figlia dell’amore.

O cenário está sendo produzido no Brasil pelo premiado cenógrafo Nicolás Boni. O figurino conta com mais de 100 peças produzidas com o requinte que a época pede pelo figurinista Fábio Namatame.

Os ingressos para Rigoletto variam de R$ 20 a R$ 120 e estarão à venda pelo site do Theatro Municipal (www.theatromunicipal.org.br) ou na bilheteria. Uma pré-venda para assinantes será realizada de 17 a 19 de junho; a venda para o público geral começa em 20 de junho. A ópera é a segunda a ser apresentada na temporada lírica 2019 do Theatro Municipal de São Paulo, após O Barbeiro de Sevilha, que estreou em fevereiro.

 

Artistas envolvidos

Regente – Roberto Minczuk
Direção Cênica – Jorge Takla
Cenários – Nicolás Boni
Figurinos – Fábio Namatame
Desenho de Luz – Ney Bonfanti

Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coro Lírico

Elenco

Rigoletto (barítono) – Fabian Veloz / Rodrigo Esteves
Duque de Mântua (tenor) – Fernando Portari / Dario Schmunck
Gilda (soprano) – Olga Pudova / Carla Cottini
Maddalena (mezzosoprano) – Juliana Taino / Magda Painno
Sparafucile (baixo) –  Luiz-Ottávio Faria
Conde Monterone ( barítono) – Davi Marcondes
MatteoBorsa (tenor) – Eduardo Trindade
Marullo (barítono) – Wladimyr Carvalho
Conde Ceprano (barítono) – Daniel Lee
Condessa Ceprano (mezzosoprano) – Carla Rizzi
Giovanna (soprano) – Karen Stephanie
Pajem (soprano) – Ludmilla Thompson
Oficial (baixo) – Andrey Mira

 

 

SERVIÇO

 

Ópera “Rigoletto”, de Giuseppe Verdi

Dias 20, 23, 24, 26, 27 e 30 de julho, às 20h
Dias 21 e 28 de julho, às 18h

Teatro Municipal de São Paulo (Praça Ramos de Azevedo, s/no. – Centro – 3397 0327)

Ingressos: R$ 120,00 / R$ 80,00 / 20,00
Pelo site theatromunicipal.org.br ou na bilheteria do Theatro Municipal

Horário da Bilheteria do Theatro Municipal: De segunda a sexta-feira, das 10 às 19h, e sábados e domingos, das 10 às 17h.

Pré-venda para assinantes: de 17 a 19 de junho

Venda para o público geral: a partir de 20 de junho

Duração aproximada: 2 horas e 30 minutos em 3 atos

Indicação etária: 12 anos

Faça seu comentário
movimento.com
Responsável pela inclusão de programação e assuntos genéricos no blog.