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Sinfônica da UFRJ faz abertura do 30º Festival de Juiz de Fora

A proposta é apresentar diferentes estilos do período final do barroco.

Pela primeira vez em Juiz de Fora para uma apresentação pública, a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro faz a abertura do 30º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga no domingo, 21 de julho, às 20h, no Cine-Theatro Central. O tradicional grupo chega à cidade com a proposta de apresentar diferentes estilos do período final do barroco. Segundo o diretor artístico e maestro André Cardoso, trata-se de um programa que a Orquestra realizou com grande sucesso no início do ano na Sala Cecília Meireles.

De acordo com o maestro, o barroco francês é representado por Rameau, com a Suíte da ópera Les Indes Galantes, em que, conforme o gosto da corte francesa, o balé era elemento fundamental. A suíte reúne a abertura e diferentes danças inseridas ao longo da ópera. O barroco alemão é representado pelo Concerto de Brandemburgo no.1, de Bach, obra que conjuga as formas suíte e concerto grosso, com constante diálogo entre cordas e sopros e oposição entre massas sonoras, entre solistas e o tutti orquestral. O mesmo se dá com a Suíte Música Aquática em Fá Maior, de Händel, uma obra, no entanto, mais eclética do ponto de vista estilístico, própria de um compositor que nasceu na Alemanha, viveu na Itália e se estabeleceu profissionalmente em Londres.

Na opinião do diretor artístico, realizar a abertura de uma edição tão especial do Festival, na celebração de 30 anos do evento, é muito significativo para a Sinfônica da UFRJ. “Um evento que consegue se manter por 30 anos ininterruptamente é um feito extraordinário”, afirma André Cardoso. “Isso mostra não só sua relevância enquanto evento específico na área da música antiga no Brasil, como também sua importância para a cidade de Juiz de Fora e a UFJF. O Festival não é importante somente pela programação artística, mas sobretudo pela parte formativa e pelos encontros de musicologia histórica [com realização bienal], onde a pesquisa em música nutre e atualiza o fazer musical.”

A apresentação do dia 21 ganha um caráter ainda mais especial quando se somam as trajetórias da própria Sinfônica, a mais antiga do Rio de Janeiro – com atuação também ininterrupta desde 1924 – e do Cine-Theatro Central, um pouco mais jovem que a orquestra, ainda celebrando os seus 90 anos em 2019. Não é a primeira vez que o grupo se apresenta no palco do Central, pois já esteve aqui em um evento fechado, mas é o primeiro concerto aberto ao público.

A oportunidade oferecida pelo Festival anima o diretor artístico da Sinfônica, que imagina futuras colaborações: “Esperamos que a parceria entre a UFJF e a UFRJ possa resultar em outras apresentações nossas na cidade, inclusive das produções de ópera. Seguimos para Juiz de Fora logo após uma temporada de sete récitas da ópera O Elixir do Amor, de Donizetti, sendo quatro no Rio de Janeiro e três em Niterói. Já levamos nossas produções para outras cidades do Estado do Rio de Janeiro, como Petrópolis e Campos. Juiz de Fora pode entrar no circuito, pois o  Cine-Teatro Central possui um fosso de orquestra. Quem sabe para 2020!”.

 

PROGRAMA

Jean-Philippe Rameau (1683-1764)
Suíte “Les Indes Galantes” (1735)
– Abertura
– Entrée des quatre Nations dans la cour d’Hébé (Gratieusement)
– Air pour lês esclaves affricains (Lourdement)
– Air des Incas pour la dévotion du Soleil (Gravement)
– Air vif (apêndice no1)

J. S. Bach (1685-1750)
Concerto de Brandemburgo no1 em Fá maior BWV1046 (1721)
– Allegro moderato
– Adagio
– Allegro
– Menuetto / Trio / Polacca / Trio

G. F. Händel (1685-1759)
“Música Aquática”–Suíte no1 em Fá maior HWV 348 (1717)
– Abertura (Largo / Allegro)
– Adagio e staccato
– Allegro/ Andante /Allegro da capo
– Minuet
– Air
– Minuet
– Bourrée
– Hornpipe
– Allegro
– Alla Hornpipe (variante II)

 

SERVIÇO

 

30º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga
Concerto de Abertura – Orquestra Sinfônica da UFRJ – Regência e violino: Felipe Prazeres

Dia 21 de julho, domingo, às 20h,

Cine-Theatro Central (Praça João Pessoa, s/n – Centro, Juiz de Fora, MG)


Entrada franca (Os convites serão distribuídos no Centro Cultural Pró-Música no dia da apresentação, das 8h às 18h. Máximo de quatro convites por pessoa)

* Todos os concertos noturnos serão precedidos de palestras ministradas pelo Prof. Rodolfo Valverde (UFJF), com início às 19h, nos mesmos locais das apresentações.

 


Orquestra Sinfônica da UFRJ

Fundada em 1924, como Orquestra do Instituto Nacional de Música, é a mais antiga do Rio de Janeiro. Ao longo de sua trajetória de mais de 90 anos de atividades ininterruptas, atuaram como regentes alguns dos principais nomes da música brasileira, como Francisco Braga, Lorenzo Fernandez, Francisco Mignone, José Siqueira, Armando Belardi, Eleazar de Carvalho, Santigo Guerra, Mário Tavares e Henrique Morelenbaum.

A partir de 1979, teve como titulares Raphael Baptista e Roberto Duarte. Desde 1998, tem como diretores artísticos e regentes titulares os maestros André Cardoso e Ernani Aguiar. É formada por músicos profissionais do quadro de técnicos da UFRJ e alunos dos cursos de graduação e pós-graduação da Escola de Música.

Além de suas funções acadêmicas para a formação de novos instrumentistas, cantores, regentes e compositores, a orquestra se dedica à preservação da memória da música brasileira e ao repertório contemporâneo, já tendo realizado mais de uma centena de estreias de novas obras. Em 11 discos gravados, registrou a produção de grandes compositores nacionais.

O CD com a gravação da primeira integral da ópera Colombo, de Carlos Gomes, recebeu o prêmio de Melhor CD pela Associação Paulista dos Críticos de Arte e o Prêmio Sharp. Realiza uma temporada anual de cerca de 12 programas e uma ópera no Salão Leopoldo Miguez, assim como no Theatro Municipal, Cidade das Artes, Sala Cecília Meireles, Teatro Municipal de Niterói, Teatro D. Pedro de Petrópolis e Teatro Trianon de Campos, recebendo como convidados solistas e regentes brasileiros e estrangeiros.

 

Orquestra UFRJ

 

Felipe Prazeres

Iniciou seus estudos de violino aos 11 anos. Graduou-se na UNIRIO, sob a orientação de Paulo Bosísio. Fez aperfeiçoamento na renomada Academia de Santa Cecilia, em Roma, na classe de Domenico Nordio. Atualmente, cursa o Mestrado Profissional da Escola de Música da UFRJ. Obteve o primeiro lugar no Concurso Nacional de Cordas de Juiz de Fora, em 1997, e no Concurso Nacional de Música IBEU, em 1999.

Atuou como solista com algumas das principais orquestras do Brasil, como a Petrobras Sinfônica, Sinfônica Brasileira, sinfônicas de Porto Alegra, Bahia e Espírito Santo e Sinfônica da UFRJ. Colaborou com renomados maestros, como Isaac Karabtchevsky, Armando Prazeres, Carlos Prazeres, Roberto Tibiriçá, André Cardoso, Sílvio Barbato e Ernani Aguiar, entre outros.

Participou de masterclasses com Augustin Dumay, Camila Wicks, Pierre Amoyal, Domenico Nordio, Boris Belkin e Ole Bohn. Participa ativamente da vida musical brasileira como solista, camerista e regente. Desde 2001, atua como spalla da Orquestra Petrobras Sinfônica, onde exerce também a função de regente da Academia Juvenil. Foi ainda maestro assistente de Isaac Karabtchevsky. Como regente, atua frequentemente com a Sinfônica da UFRJ, Petrobras Sinfônica e Sinfônica da Bahia. Dirigiu concerto com a World Youth Symphony na Itália. É um dos fundadores e o diretor artístico da orquestra Johann Sebastian Rio e um dos spallas da Sinfônica da UFRJ.

 

Felipe Prazeres

 

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