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Armando Prazeres – uma singela homenagem

Em janeiro de 1999, uma tragédia se abatia sobre o nosso querido maestro Armando Prazeres e sobre um sem número de pessoas que com ele conviviam, de uma forma ou de outra. Uma morte sem sentido, como todas que ocorrem da mesma maneira ou parecida. Um ato contra a vida. Um ato de escuridão. Um ato de buraco negro. Um buraco negro: isso expressa bem o que ficou para nós sobreviventes…

À época, a revolta era o meu sentimento, como de outras pessoas, mais à flor da pele. Hoje, entretanto, com o passar do tempo, fico “sentido”: isso traduz um sentimento de vazio, de saudade, de dor e de pena de nós, que acabamos privados da presença marcante desta pessoa que tanto nos encantava.

Este buraco negro de que falo acima nada mais é que uma lacuna impreenchível. Uma lacuna que se aprofunda e se alastra cada vez mais, tendo atingido não só a vida do Armando Prazeres, mas continuando a respingar também nas vidas de todos que conviveram com ele, quer nas empresas, quer nos corais, quer nas orquestras, quer na sua vida particular.

Uma pessoa em que se confiava. Isso é que era o mais importante nele. Este sentimento que eu traduzo aqui, tenho a certeza de que é o da imensa maioria das pessoas que chegaram a ter uma certa convivência com ele: confiança mútua… Não sinto apenas saudades, mas um profundo pesar por não termos mais a vivência e o companheirismo que nos cercava na época. Os ensaios eram encontros de alegria e de confraternização. As apresentações eram especialíssimas.

Sabem quando a lembrança do Armando me faz ficar “sentido”? Quando canto num coral, quando ouço alguma música que eu cantava com ele, quando se aproxima esta fatídica data, quando se aproxima a data do seu aniversário (08.08)e algumas outras. Nestes momentos, a lembrança é sofrida e, muitas vezes, o choro incontrolável vem aos olhos: mas não sou só eu… somos muitos…

Em dezembro de 2011, aconteceu a 58ª. edição do “Messias – sing alone” na Catedral Presbiteriana de Botafogo. Eu nunca tinha ido, mas fui desta vez. Pelo que vi, acho que a maior concentração de cantores era de ex-integrantes dos corais do Armando (contei mais ou menos 20 pessoas) .

Curtimos o canto e depois nos reunimos, como fazíamos sempre com ele, para jogar conversa fora e tomar um chopinho. Falamos sobre ele, rimos, choramos, etc… mas sabemos de alguns que não foram porque… “eu não vou me segurar… não vou aguentar…”

Você que o conheceu, não se acanhe em chorar pela falta dele. Você que não o conheceu, curta a saudade dele. Você que não o conheceu, não se impeça de elevar sua oração por ele e por nós todos, nesta efeméride entristecedora.

Querido Armando, sei que estás numa boa, ao lado do Pai. Intercede por todos nós, intercede pelos corais que dirigiste, intercede pelo teu grande sonho, a Orquestra Petrobras Sinfônica. Pede ao Pai que a coloque sempre nas mãos de quem gosta e entende de arte musical e de música coral.

Sei que vais fazer isso… mas faz rápido, antes que seja tarde.

Abraços a todos e saudades…

 

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Antônio Rodrigues
Apaixonado por música coral, é um dos fundadores e mantenedor do movimento.com.