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Filarmônica MG une Guerra e Paz

Uma edição da série Fora de Série.

 


No dia 14 de setembro, às 18h, na Sala Minas Gerais, em concerto da série Fora de Série, que este ano destaca a conexão da música com outras manifestações humanas, a Filarmônica de Minas Gerais une Música, Guerra e Paz.

Para expressar o vigor da conquista, a Orquestra interpreta A vitória de Wellington, op. 91, de Beethoven, e Abertura 1812, op. 49, de Tchaikovsky. Já o terror da brutalidade será ilustrado com as obras A batalha dos hunos, de Liszt, e Trenodia para as vítimas de Hiroshima, de Penderecki. Completam o repertório Guerra e Paz, op. 91: Abertura, de Prokofiev, e Canto de Amor e Paz, de Santoro. A regência é do maestro Marcos Arakaki.

Em 2019, a série Fora de Série, com nove concertos ao longo do ano, tem explorado a conexão da música com outras manifestações humanas, como dança, teatro, cinema, fauna e flora, guerra e paz, mitologia, pintura, religiosidade e a literatura.

Este concerto é apresentado pelo Ministério da Cidadania e Governo de Minas Gerais e conta com o Patrocínio da Aliança Energia e do Banco Votorantim por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

 

PROGRAMA

Serguei Prokofiev (1891–1953)
Guerra e Paz, op. 91: Abertura

Ludwig van Beethoven (1770–1827)
A vitória de Wellington, op. 91

Franz Liszt (1811–1886)
A batalha dos hunos, Poema Sinfônico nº 11

Krzysztof Penderecki (1933)
Trenodia para as vítimas de Hiroshima

Cláudio Santoro (1919–1989)
Canto de Amor e Paz

Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840–1893)
Abertura 1812, op. 49

 

As obras

 Alguns dos trabalhos mais interessantes de Serguei Prokofiev foram escritos durante a Segunda Guerra Mundial, como o balé Cinderela e a ópera Guerra e Paz. Com a ideia de adaptar a obra-prima de Tolstói na cabeça durante anos, foi somente após a invasão alemã da Rússia em 1941 que Prokofiev resolveu iniciar essa ambiciosa missão. Inicialmente, a ópera foi dividida em duas metades, para ser apresentada em duas noites. A primeira parte, Paz, focava no enredo entre Natasha e o príncipe André. A segunda, Guerra, era dedicada à batalha e à invasão do território. Por sua ambição e pelo patriotismo e fervor heroico pedido pelos guardas soviéticos, o resultado foi um trabalho de mais de quatro horas de duração. Após a estreia, Prokofiev reduziu a partitura para que coubesse em uma única noite.

 

Beethoven compôs a Abertura A vitória de Wellington a pedido de Johann Nepomuk Mälzel (1772-1838, inventor do metrônomo e amigo de Beethoven), para celebrar a vitória das tropas chefiadas pelo Duque de Wellington sobre as tropas napoleônicas, em 21 de junho de 1813, na cidade de Vitoria, Espanha. A obra requer um grande efetivo orquestral, além de tiros de canhão e fuzil (atualmente substituídos por dispositivos eletrônicos disparados pelo percussionista). Graças ao sentimento patriótico que tomou conta da Áustria na época, a estreia, em Viena, no dia 8 de dezembro de 1813, foi um sucesso estrondoso e teve não apenas Beethoven na regência, como Schuppanzigh nos primeiros violinos, Salieri, Sphor e Hummel na percussão.

 

Liszt compôs treze poemas sinfônicos para orquestra, tendo inventado o gênero que evoca sonoramente um poema, conto, pintura ou outra fonte de inspiração não musical. O décimo primeiro deles, A batalha dos hunos, foi inspirado pela pintura de mesmo nome (Hunnenschlacht), uma da série de seis afrescos de Wilhelm von Kaulbach ilustrando episódios da história da humanidade. “A batalha dos hunos” de Kaulbach foi pintado na escadaria do Museu Novo em Berlim e retrata a Batalha dos Campos Cataláunicos, travada em 20 de junho de 451, entre o Império Romano do Ocidente, sob o comando de Flávio Aécio, e os Hunos, liderados por Átila. No verão de 1855, a princesa Carolyn von Sayn-Wittgenstein presenteou Liszt com uma reprodução da obra, que mexeu com seu imaginário. O regalo o inspirou a conceber uma série de poemas sinfônicos sobre cada um dos afrescos, intitulada “A história do mundo em imagens e sons por Wilhelm von Kaulbach e Franz Liszt”. O grande projeto nunca foi realizado, porém A batalha dos hunos tornou-se uma de suas grandes obras.

 

Na Polônia, o verdadeiro ponto de virada na música do século XX veio em 1959 com a vitória do jovem Krzysztof Penderecki nas três categorias da Competição Juvenil do Sindicato dos Compositores Poloneses. A experiência daquele prêmio deu a ele as condições para criar, um ano depois, o mais significativo trabalho de sua carreira, premiado pela Unesco e pelo Japão: Trenodia para as vítimas de Hiroshima, de 1961. Trenodia é o nome dado a um canto fúnebre, ou a uma ode a um assunto triste. O impacto do début foi imediato. O lamento dos violinos, os estouros que saem das 52 cordas – gerando em igual medida espanto e preocupação sobre possíveis danos aos instrumentos – durante os quase nove minutos de peça ecoaram profundamente em uma nação que ainda se recuperava do rastro da guerra. Aos poucos, aos artistas da Polônia era permitido conhecer um pouco da música de ambos os lados da cortina de ferro. O espanto causado por sua revolucionária estreia lançou as bases para um estilo de composição que seria usado exaustivamente para transmitir perigo ou terror em filmes, como o clássico O Iluminado, de Stanley Kubrick.

 

Em julho de 1950, Cláudio Santoro começa a trabalhar como compositor na Rádio Tupi. Escreve o Canto de Amor e Paz, para orquestra de cordas, que Eleazar de Carvalho estreou com a Sinfônica Brasileira em 1951. Em Viena, o Conselho Mundial da Paz confere à partitura o Prêmio da Paz em 1952. Nesse ano, a obra é executada em Salzburgo e nos Festivais de Maio, em Praga. Em 1954 Santoro a rege no Brasil, para gravação em LP, cuja contracapa assim a descreve: “Canto de Amor e Paz, pelas suas qualidades intrínsecas e repercussão, marcou a ruptura definitiva de Claudio Santoro com as teorias dodecafonistas e atonalistas. Inspirando-se em ideias generosas e humanas, o compositor procurou dar maior importância a uma linha melódica de conteúdo realista, inspirada nas características mais frisantes da música popular brasileira. Canto de Amor e Paz se constrói, através de uma admirável escritura, sobre um tema sereno, que se desenvolve em primeiro plano, sem que tal serenidade fuja, porém, aos contrastes dramáticos, próprios do amor”. Sua música não é atonal, dodecafônica ou nacionalista, mas tudo isso, às vezes ao mesmo tempo; é dizer, subjetiva e experimental.

 

O ano de 1812 marca o início da derrocada do império napoleônico. A Grande Armada Francesa de Napoleão I, até então invencível, invade a Rússia, vence a Batalha de Borodino e invade Moscou, em setembro, confirmando aparentemente a vitória francesa. Napoleão não esperava que os russos deixassem Moscou completamente devastada e em chamas. Sem mantimentos e sem capacidade de se recuperar, as tropas napoleônicas batem em retirada, destruídas pelo frio intenso e por milícias russas. A Abertura 1812 foi composta entre setembro e novembro de 1880, a partir de encomenda feita por Nikolai Rubinstein, diretor dos Concertos da Sociedade Imperial Russa. Tchaikovsky a concebeu para que fosse estreada com orquestra, banda de metais, coro e canhões na Praça Vermelha. Supostamente programática, a Abertura expõe nas cordas – os russos? – o coral ortodoxo Deus, salva teu povo. Segue-se nas madeiras a dança folclórica No meu portão, no meu portão. Os metais anunciam o hino francês. No desenvolvimento, o tema russo nas cordas duela com o francês nos metais. O folclore russo reaparece entrecortando com nostálgicas melodias populares o embate entre russos e franceses. Sinos, canhões e Deus salve o Czar expulsam A Marselhesa, na apoteose final.

 

 

SERVIÇO

 

Série Fora de Série – Música, Guerra e Paz

Dia 14 de setembro, sábado, às 18h

Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto)

 

Ingressos: R$ 46 (Coro) R$ 52 (Balcão Palco) R$ 52 (Mezanino), R$ 70 (Balcão Lateral), R$ 96 (Plateia Central), R$ 120 (Balcão Principal), Camarote par (R$ 140).

Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.

Ingressos para o setor Coro serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

Ingressos comprados na bilheteria não têm taxa de conveniência.

Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br

 

Funcionamento da bilheteria:
Sala Minas Gerais – Rua Tenente Brito Melo, 1090 – Bairro Barro Preto
De terça-feira a sexta-feira, das 12 às 20h.
Aos sábados, das 12 às 18h.
Em quintas e sextas de concerto, das 12 às 22h
Em sábados de concerto, das 12 às 21h.
Em domingos de concerto, das 9 às 13h.

São aceitos cartões com as bandeiras Amex, Aura, Redecard, Diners, Elo, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.

 

 

Marcos Arakakimaestro

Marcos Arakaki teve seu talento reconhecido a partir de 2001, quando venceu o I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes, promovido pela Orquestra Petrobras Sinfônica. Desde então, tem dirigido as principais orquestras brasileiras, além da Filarmônica de Buenos Aires, de Karkhiv na Ucrânia, a Boshlav Martinu na República Tcheca, a Sinfônica de Xalapa e da Universidade Autônoma do México.

Concluiu bacharelado em Música pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e mestrado em Regência Orquestral pela University of Massachusetts. No Aspen Music Festival and School, Estados Unidos, recebeu orientações de David Zinman, Kurt Masur, Charles Dutoit e Sir Neville Marriner. Atuou como regente titular da Orquestra Sinfônica da Paraíba e assistente da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB).

Como regente titular, promoveu uma elogiada reestruturação na Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem. Recebeu o Prêmio Camargo Guarnieri, concedido pelo Festival Internacional de Campos do Jordão, e gravou com a OSB a trilha do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass.

Arakaki tem acompanhado importantes artistas, tais como Gabriela Montero, Sergio Tiempo, Anna Vinnitiskaya, Sofya Gulyak, Ricardo Castro, Pinchas Zukerman, Rachel Barton Pine, Chloë Hanslip, Luíz Fílip, Victor Julien-Laferrière, Günter Klaus, Eddie Daniels, David Gérrier e Yamandú Costa.

Desenvolve atividades como coordenador pedagógico, professor e palestrante em projetos culturais, universidades e conservatórios. Professor visitante da Universidade Federal da Paraíba por dois anos, contribuiu para a consolidação da recém-criada Orquestra Sinfônica da UFPB.

Marcos Arakaki é regente associado da Filarmônica de Minas Gerais e colabora com a Orquestra desde 2011, com destacada atuação nos concertos para formação de público. É autor do livro A História da Música Clássica Através da Linha do Tempo, lançado em 2019.

 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

Criada em 2008, desde então a Filarmônica de Minas Gerais se apresenta regularmente em Belo Horizonte. Em sua sede, a Sala Minas Gerais, realiza 57 concertos de assinatura e 12 projetos especiais. Apresentações em locais abertos acontecem nas turnês estaduais e nas praças da região metropolitana da capital. Em viagens para fora do estado, a Filarmônica leva o nome de Minas ao circuito da música sinfônica.

Através do seu site, oferece ao público diversos conteúdos gratuitos sobre o universo orquestral. O impacto desse projeto artístico, não só no meio cultural, mas também no comércio e na prestação de serviços, gera em torno de 5 mil oportunidades de trabalho direto e indireto a cada ano. Sob a direção artística e regência titular do maestro Fabio Mechetti, a Orquestra conta, atualmente, com 90 músicos provenientes de todo o Brasil, Europa, Ásia, Américas do Sul e do Norte e Oceania, selecionados por um rigoroso processo de audição.

Reconhecida com diversos prêmios culturais e de desenvolvimento econômico, ao encerrar seus 10 primeiros anos de história, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais recebeu a principal condecoração pública nacional da área da cultura. Trata-se da Ordem do Mérito Cultural 2018, concedida pelo Ministério da Cultura, a partir de indicações de diversos setores, a realizadores de trabalhos culturais importantes nas áreas de inclusão social, artes, audiovisual e educação. A Orquestra foi agraciada, ainda, com a Ordem de Rio Branco, insígnia diplomática brasileira cujo objetivo é distinguir aqueles cujas ações contribuam para o engrandecimento do país.

O corpo artístico Orquestra Filarmônica de Minas Gerais é oriundo de política pública formulada pelo Governo do Estado de Minas Gerais. Com a finalidade de criar a nova orquestra para o Estado, o Governo optou pela execução dessa política por meio de parceria com o Instituto Cultural Filarmônica, uma entidade privada sem fins lucrativos qualificada com os títulos de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e de Organização Social (OS), um modelo de gestão flexível e dinâmico, baseado no acompanhamento e avaliação de resultados.

 

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