FestivalLateralÓperaParáProgramação

“Il matrimonio segreto” no Festival de ópera de Belém

Obra de Cimarosa é apresentada no XVIII Festival de Ópera do Theatro da Paz.

 

 

Primeira das três óperas que integram a programação do XVIII Festival de Ópera do Theatro da Paz, Il Matrimonio Segreto, de Domenico Cimarosa, estreia nesta sexta-feira, dia 06 de setembro, na capital paraense. A produção tem direção musical e regência do maestro Miguel Campos Neto e direção cênica de Walter Neiva.

Em dois atos, a obra se passa em Bolonha durante o século XVIII e conta a história do comerciante Geronimo, que propõe um dote ao Conde Robinson para que este se case com sua filha mais velha, Elisetta, para que ela se torne parte da nobreza. Como Robinson se apaixona por Carolina, a filha mais nova de Geronimo, que por sua vez está apaixonada por Paolino, empregado do pai. Carolina e Paolino se casam secretamente, o que causa uma grande confusão.

 

A obra

Quando Il Matrimonio Segreto estreou em 7 fevereiro de 1792, em Viena, fazia apenas dois meses que Mozart havia falecido e cinco meses que A Flauta Mágica havia estreado na mesma cidade. Rossini o compositor de várias óperas-bufas de sucesso, como O Barbeiro de Sevilha, nasceria no dia 29 de fevereiro, ou seja, 22 dias após a estreia de Il Matrimonio Segreto. Cinco anos antes, em 1786, Mozart havia triunfado com a sua ópera Le Nozze di Figaro, baseada na peça homônima de Beaumarchais, que foi proibida na França, por ridicularizar a nobreza e já apontar para a ascensão da burguesia.

Logo após a morte de Mozart, o imperador Joseph II morreria também e foi sucedido por seu irmão mais novo, Leopold II, que vivia na Itália, onde já se tornara amigo de Cimarosa. Ao assumir o trono, Leopold II elege o compositor italiano como Maestro di Capella da corte vienense, e logo lhe encomenda uma primeira ópera, em dezembro de 1791. O imperador hospeda o compositor em uma bela casa de campo, e em menos de dois meses Cimarosa conclui a ópera, composta sobre um libreto de um dos melhores libretistas de então, Giovanni Bertati.

A ópera estreou em uma matinê do Burgtheather de Viena, e foi muito bem recebida pelo público e pela família real presente, deixando Leopold II tão entusiasmado que ele mandou servir uma bela refeição a todo o elenco, e em seguida pediu que toda a ópera fosse repetida na íntegra – o que se transformou no mais longo bis da história da música.

É curioso observar que, ao contrário de As Bodas de Fígaro, de Mozart, que zombava da nobreza, o tema da obra de Cimarosa ridiculariza um burguês, que, para ser nobre, resolve comprar um título de nobreza para ascender à alta classe.

A música de Cimarosa é brilhante, e a seu modo procura servir o texto nos moldes da dramaturgia de seu tempo. Com uma visão mais acurada, percebemos muitas fórmulas de construção musical que influenciariam toda a geração seguinte, como se pode verificar quando observarmos as óperas cômicas de Rossini e Donizetti. O sucesso da Cimarosa foi internacional. Ele foi, junto com Paisiello, o compositor de ópera mais popular do final do século XVIII.  Suas obras rapidamente entraram no repertório dos teatros de toda a Europa.

 

Resumo da ópera

Estamos na casa de Geronimo, um rico cidadão de Bolonha; ele tem duas filhas, Elisetta e Carolina, e uma irmã, Fidalma, que administra a casa. Ele também tem um jovem secretário, Paolino, que se casou secretamente com a sua filha mais nova, Carolina.

Ato I

Paolino está trabalhando para conseguir um contrato de casamento entre Elisetta e seu patrono, o Conde Robinson, esperando que, assim que a filha mais velha de Geronimo esteja bem casada, seu casamento com a mais nova seja aceito pelo patrão. O Conde Robinson escreveu uma carta expressando o seu interesse (tentado pelo substancial dote) em Elisetta, e Geronimo está entusiasmado em pensar que sua filha será uma condessa. Fidalma confessa à sobrinha que está apaixonada também, mas só revela em um aparte para o público que o objeto de sua paixão é Paolino.

Quando o Conde chega, fica desapontado ao descobrir que não é Carolina que lhe foi oferecida. Ele diz a Paolino que vai se contentar com um dote menor e manda-o para organizar a partida. Carolina não se atreve a contar a história de que é casada, então quando ela admite que não tem um amante, isso excita ainda mais o Conde.

Carolina tenta convencê-lo de que ela não tem desejo de ser nobre, e nem qualificação para ser uma condessa, mas ele continua a persegui-la. Elisetta acusa ambos de traí-la, e a comoção atrai Fidalma, que se une a Carolina para tentar acalmar Elisetta. Todos tentam imediatamente explicar seus sentimentos ao confuso e exasperado Geronimo.

Ato II

Geronimo insiste que o Conde deve honrar o seu contrato e se casar com Elisetta, mas o conde se recusa. Quando ele se oferece para aceitar um dote menor pela mão de Carolina, Geronimo tem o prazer de salvar parte do seu dinheiro, contanto que Elisetta concorde.

Paolino está perturbado e se atira à misericórdia de Fidalma, mas fica chocado ao descobrir que ela espera se casar com ele. Ele desmaia, levando Fidalma a concluir que seu amor é correspondido, enquanto Carolina pensa que foi traída. Paolino, porém, promete à sua secreta esposa que eles sairão de casa ao amanhecer e se refugiarão na casa de um parente.

O Conde conta à Elisetta todos os seus maus hábitos e defeitos físicos, esperando que ela o rejeite, mas ela permanece firme – e ele finalmente confessa que não pode tolerá-la. Geronimo também não consegue convencê-la a aceitar que o Conde se case com Carolina. Fidalma sugere mandar Carolina para um convento, e Geronimo concorda. Carolina está com o coração partido e tenta confessar a sua situação ao Conde, mas eles são interrompidos por sua irmã, sua tia e seu pai, que estão alegres por tê-los apanhado juntos, e Geronimo envia Paolino com uma carta para a Madre Superiora.

Depois de um final brilhante e ridículo, Paolino e Carolina finalmente confessam que estão casados há dois meses; Geronimo e Fidalma estão furiosos, mas o Conde e Elisetta os aconselham a perdoar os recém-casados, acrescentando que eles mesmos se casarão afinal.

 

FICHA TÉCNICA

Direção Geral do Festival: Daniel Araújo
Direção Artística do Festival: Jena Vieira
Direção de Produção: Nandressa Nunez
Direção Cênica: Wálter Neiva
Cenário: Cláudio Rego
Figurinos: Fernando Leite
Iluminação: Rubens Almeida
Visagismo: Omar Júnior

Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz
Direção Musical e regência: Miguel Campos Neto

Elenco

– Carolina, a filha mais jovem: Kézia Andrade (soprano)
– Elisetta, filha mais velha de Gerônimo: Lanna Bastos (soprano)
– Fidalma, sua irmã: Edineia de Oliveira (mezzosoprano)
– Conde Robinson, um nobre inglês: Fellipe Oliveira (barítono)
– Gerônimo, comerciante bolonhês: Saulo Javan (baixo)
– Paolino, empregado de Geronimo: Antônio Wilson (tenor)

Atores

Mordomo: Emanuel de Freiras
Assistente: Kadu Santor
Assistente: Lanna Filgueiras

 

SERVIÇO


“Il matromonio segreto”, de Domenico Cimarosa 

Dias 06, 08 e 10 de setembro, às 20h

Theatro da Paz

Ingressos: os valores não foram informados


Ingressos: venda de ingressos na bilheteria do teatro, de segunda a sexta-feira, de 9 às 18h; aos sábados, de 8 às 14h; aos domingos, de 8 às 12h; nos dias de espetáculo até as 20h. Os interessados também poderão adquirir pelo site Ticket Fácil. Informações pelo telefone (91) 4009-8750.

 


Próximos eventos

A programação do Festival segue até 22 de dezembro, incluindo mais duas óperas: Suor Angelica, de Giacomo Puccini, e Amahl e os visitantes da noite, de Gian Carlo Menotti, que terá uma de suas récitas aberta ao público e apresentada em um palco externo.

De 16 a 20 de setembro, às 14h

Coaching Vocal – Expressão vocal e Interpretação Musical do Repertório Operístico (com Gabriel Rhein-Schirato)

Dias 21, 23 e 25 de outubro, às 20h, na Igreja de Santo Alexandre

Suor Angélica, ópera de Giacomo Puccini

De 28 de outubro a 22 de novembro

Oficina de Teatro – Dramaturgia Pessoal do Ator I (Alberto Silva)

Dia 31 de outubro, às 20h, no Theatro da Paz

Concerto da OSTP

Dia 07 de novembro

Apresentação dos Alunos do I Curso de Formação em Ópera e OSTP

Dias 12, 15 e 16 de novembro, às 20h, no Theatro da Paz

Árvores que tocam – Musical de Thiago D’Albuquerque, com direção musical de Vanildo Monteiro

Dia 18 de novembro, às 20h, no Theatro da Paz

Concerto Coro e OSTP

De 25 de novembro a 20 de dezembro

Oficina de Teatro – Dramaturgia Pessoal do Ator II (Cláudio Barros)

Dias 17, 19 e 21 de dezembro, às 20h, no Theatro da Paz

Amahl e os visitantes da noite, ópera de Gian Carlo Menotti

 

Faça seu comentário
movimento.com
Responsável pela inclusão de programação e assuntos genéricos no blog.