LateralNotíciaÓpera

Miguel Campos Neto regerá óperas na França em 2020

Regente paraense, que conduzirá obras de Mascagni e Leoncavallo em Avignon, conversou com o Movimento.com.

 

O maestro Miguel Campos Neto, regente titular da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, regerá ópera pela primeira vez no exterior em março de 2020, na cidade de Avignon, no sul da França. O maestro acaba de reger Il Matrimonio Segreto (leia crítica aqui), a primeira produção do XVIII Festival de Ópera do Theatro da Paz.

Em Avignon, Campos Neto conduzirá nos dias 06 e 08 de março do ano que vem as óperas Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni, e I Pagliacci, de Ruggero Leoncavallo. A produção dupla, que integra a temporada 2019/2020 da Opéra Grand Avignon, terá encenação de Eric Perez, cenários e figurinos de David Belugou, iluminação de Joël Fabing e solistas como Denys Pivnitskyi, Chrystelle di Marco e Dongyong Noh, dentre outros. Veja aqui, em francês, mais detalhes sobre esta produção.

Natural de Belém, aos 40 anos Miguel Campos Neto tem se destacado por sua atuação no Festival de Ópera do Theatro da Paz, onde já regeu óperas como Salomé, O Navio Fantasma, Mefistofele e Un Ballo in Maschera, dentre outras, muitas vezes conquistando elogios da crítica especializada. Em 2018, o maestro foi indicado pelo Movimento.com, no nosso balanço anual da temporada de óperas em nível nacional, como revelação como regente de ópera, não somente por sua atuação na ópera de Verdi que regeu naquele ano, mas pelo conjunto de seu trabalho realizado até então no festival paraense.

Campos Neto conversou brevemente com o Movimento.com sobre a sua estreia regendo ópera no exterior:


Como surgiu o convite para reger essas óperas na França?

“O convite veio após um primeiro contato com a orquestra sinfônica local, a Orchestre Régional Avignon-Provence, que toca tanto a temporada sinfônica como é a orquestra residente da Opéra Grand Avignon. Acho que como a experiência sinfônica foi boa, e eles estão cientes das óperas que rejo em Belém, o convite para estar na temporada operística deles veio como um resultado natural.

Eu regi a orquestra de Avignon pela primeira vez na temporada passada (2018-2019) em um concerto dentro da sua programação sinfônica, e antes disso regi outra orquestra francesa, a Orquestra Sinfônica de Mulhouse. Além disso, já mantenho contato com artistas franceses, sempre apoiado por entidades como a Aliança Francesa de Belém, o Consulado da França em Belém e a Embaixada da França. Dentre esses artistas que conhecem o que eu faço em Belém, o principal com certeza é o compositor Pierre Thilloy, cuja obra já tive o prazer de reger em várias cidades do Brasil (Belém, Belo Horizonte, Brasília) e também na França.

Eu acredito na reação em cadeia, no efeito bola de neve. Se há um trabalho bem feito, ele surte efeito e repercussão, e daí outros convites surgirão.”

Qual a sua expectativa em relação a esse primeiro trabalho com ópera no exterior?

“Apesar da expectativa ser grande para reger ópera pela primeira vez fora do Brasil, os anos que passei como maestro assistente em Manaus, sob a tutela dos Maestros Luiz Fernando Malheiro e Marcelo de Jesus, bem como os nove anos como maestro titular em Belém foram uma boa preparação, pois os dois festivais contam com artistas internacionais, sendo eles maestros convidados, diretores de cena ou cantores. Com esse contato, tão importante para o desenvolvimento do artista brasileiro, começamos a entender várias maneiras diferentes de abordar o trabalho. Então eu acho que essa nova experiência trará apenas frutos positivos.”

 

Antes da França, São Paulo

Antes de reger as óperas de Mascagni e Leoncavallo em Avignon, Miguel Campos Neto poderá ter o seu trabalho apreciado em São Paulo, onde regerá em dezembro deste ano a ópera O Peru de Natal, de Leonardo Martinelli. A obra será apresentada no Theatro São Pedro, na Barra Funda, nos dias 14 e 15 de dezembro, e o regente estará à frente da Academia de Ópera e da Orquestra Jovem do Theatro São Pedro. A encenação será de Mauro Wrona.

Em Belém, o maestro rege ainda, pelo XVIII Festival de Ópera do Theatro da Paz, Suor Angelica, ópera de Puccini que será apresentada nos dias 21, 23 e 25 de outubro na Igreja de Santo Alexandre.

 

Foto do post: Mário Quadros.

 

Faça seu comentário
Leonardo Marques
Formado em Letras com pós-graduação em Língua Italiana. Frequentador assíduo de concertos e óperas. Participou de cursos particulares sobre ópera. E-mail: leonardo@movimento.com