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Novo espaço de música de concerto no RJ

Poucos estavam na plateia e presenciaram a estreia de um novo palco para a música de concerto no Rio de Janeiro. Na noite de 19 de setembro, número quase equivalente de pessoas ocupava tanto o palco como as poltronas do teatro Dulcina, no Centro da cidade, para a abertura de uma série voltada à música de concerto com preços populares (R$ 20 a inteira).

Louvável, a iniciativa é da Fundação Nacional de Artes (Funarte), por meio de seu presidente, Miguel Proença, e representada no teatro pelo diretor do Centro da Música (Cemus), Bernardo Guerra. A proposta é retomar as ações da Rede Nacional de Música, criada pela Funarte em 1977, com o objetivo de consolidar um circuito de recitais de música de alcance nacional, gerando trabalho para os músicos profissionais e formando novas plateias para a música de concerto.

A programação foi aberta pela orquestra Johann Sebastian Rio, com um programa composto por obras de A. Vivaldi (1678-1741) e P. I. Tchaikovsky (1840-1893). Criada há cinco anos, tem em seu quadro jovens músicos atuantes em orquestras sinfônicas do Rio de Janeiro e sua proposta é bem contemporânea, com vídeos nas redes sociais e uma pegada pop.

Tendo à frente o spalla Felipe Prazeres, seu diretor artístico, a Johann Sebastian Rio abriu os trabalhos com a abertura da ópera L’Olimpiade (RV 725), composta pelo veneziano Vivaldi a partir de libreto de Metastásio (1698-1782). A obra estreou no teatro Sant’Angelo de Veneza no Carnaval de 1734. Interpretada com bastante energia, os músicos usaram e abusaram dos contrastes entre forte e piano, que tanto caracterizam o Barroco.

Também de Vivaldi, o Concerto Grosso Op. 3, n. 11, foi a obra executada em seguida. Eloquente, Prazeres explicava as obras e interagia com o público, exaltando a intimidade existente naquele recital.

Do Barroco ao Romântico – esse foi o salto para a última obra do concerto: Serenata para cordas em dó maior, Op. 48, de Tchaikovsky. A peça, de emoções intensas, começou com um arrebatador primeiro movimento (Pezzo in forma di sonatina: Andante non troppo – Allegro moderato), ao qual se seguiu delicada valsa (Valse: Moderato – Tempo di valse). O terceiro movimento (Elegie: Larghetto elegíaco) requereu concentração dos dedicados músicos. O último movimento (Finale: Andante – Allegro con spirito), inspirado em um tema russo, encheu a sala de vitalidade.

Falar da abertura de um novo espaço para a música de concerto é sempre uma notícia boa. O delicado Dulcina (inaugurado em 1946, teve sua última modernização em 2011), muito bem localizado na Cinelândia, é uma ótima escolha. E o convite para a orquestra Johann Sebastian Rio também foi uma bela opção – um grupo jovem, simpático e talentoso. Vida longa a ambos!

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Fabiano Gonçalves
Publicitário e roteirista (formado no Maurits Binger Film Institute - Amsterdã). Corroteirista do longa O Amor Está no Ar e de programas de TV (novela Chiquititas - 1998/2000). Redator na revista SuiGeneris, no site Escola24horas e no Departamento Nacional do Senac. Um dos fundadores do movimento.com, escreve também sobre televisão para o site teledossie.com.br. - E-mail: fabiano@movimento.com