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“Ritos de perpassagem” – estreia da ópera de Flô Menezes

Obra encomendada pelo Theatro São Pedro terá realização cênica de Marcelo Gama e direção musical de Ricardo Bologna.

 

O Theatro São Pedro, instituição da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Estado sob a gestão da Santa Marcelina Cultura, apresenta no dia 27 de setembro, sexta-feira, às 20h, a estreia mundial da encomenda “Ritos de Perpassagem(2018-19), ópera do brasileiro Flô Menezes. Definida pelo compositor como uma “NeutrinÓpera em dois Trans-Atos”, a obra – escrita para narrador, 7 vozes solistas, coro, 8 percussionistas, orquestra e eletrônica – gira em torno do Pitagorismo, dos Ritos de Passagem e dos Neutrinos.

Os “Ritos de Passagem”, rituais de margem pelos quais os humanos cerimoniam etapas e situações fundamentais de suas vidas, são o objeto de fundo desta ópera sobre Pitágoras e o Pitagorismo. Entrecruzando episódios do início e do fim do Pitagorismo – eventos das vidas de Pitágoras (570a.C.-495a.C.) e de Johannes Kepler (1571-1630) –, a obra desafia a narratividade linear operística e aborda aspectos históricos, físico-matemáticos, musicais, filosóficos e políticos do Pitagorismo, situando-o como a mais influente escola de pensamento da história, em meio a um mosaico de textos em nove línguas (português, latim, italiano, espanhol, francês, inglês, alemão, grego e russo) que vão de Anaxágoras a Roland Barthes, de Pitágoras a Augusto de Campos.

“Mas o que significa escrever uma ópera hoje?”, esta foi a pergunta que Flô Menezes se fez ao receber a encomenda da Santa Marcelina Cultura para compor sua primeira ópera. “Você tem que pensar o gênero do ponto de vista histórico, e ver o que ele significa hoje. E qual seria a maneira de fazer com que a ópera tenha um sentido renovador, buscando o novo. Porque o novo é o horizonte da arte. Arte é o terreno da invenção”.

Flô Menezes então escreveu uma ópera totalmente não-convencional: uma ópera sem início nem fim, que desafia a narrativa tradicional. “É a nova experiência que toda obra nova tem de propor”, diz. “E eu não estou querendo provocar ninguém – ao aceitar compor a ópera eu estou me provocando”. Refletindo sobre como o público deve reagir a essa nova experiência, ele diz que, como tudo na vida, é necessário estar aberto: “A pessoa tem que vir com a vontade de se descobrir no prazer. Essa busca do novo na arte é ritualística, tem como intenção levar a pessoa a ter prazer no momento da fruição, mas também a levar consigo o interesse pelo novo”.

A direção musical será de Ricardo Bologna, percussionista e regente, com importante atuação em música nova. Ele volta a reger a Orquestra do Theatro São Pedro após dois concertos em 2018, quando comandou um programa de música contemporânea com peças de Luciano Berio, Valéria Bonafé e Sílvio Ferraz.

Timpanista da Osesp, Ricardo Bologna é professor do departamento de música da Escola de Comunicação e Artes da USP e tem formação pela Unesp, pela Haute École de Musique de Genève (Suíça) e pelo Conservatório de Rotterdam (Holanda). Criou o Percorso Ensemble, grupo especializado na execução do repertório dos séculos XX e XXI e já regeu grupos como a Orquestra Sinfônica de Genebra (Suíça), a Orquestra do Medomak Festival (EUA), a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e a Camerata Aberta.

A realização cênica fica a cargo de Marcelo Gama, ator, cantor e pianista especializado na direção teatral de óperas contemporâneas. Radicado na Áustria desde 1991, Gama já realizou trabalhos em prestigiadas casas e festivais europeus, como o Festival de Lucerna, o Festival de Verão de Helsinki, e as óperas de Stuttgart e de Hannover. Também dirigiu estreias de compositores como Johanna Doderer, Mike Svoboda, Helmut Oehring e Lucia Ronchetti. Em 2011, assinou a direção da estreia mundial de Retrato Falado das Paixões, de Flô Menezes, no Theaterhaus Stuttgart, na Alemanha.

O elenco é formado pelo Neue Vocalsolisten, ensemble vocal especializado em música contemporânea formado por sete cantores, cujo alcance vocal coletivo varia desde o agudo registro de soprano coloratura até o baixo profundo. A ópera conta ainda com a participação do barítono pernambucano Marcelo Ferreira, cantor com extensa atuação dentro e fora do país, que faz o narrador da obra. O Grupo PIAP (Grupo de Percussão do Instituto de Artes da Unesp), o Studio PANaroma (Studio de Música Eletroacústica da Unesp) e o Coro Contemporâneo de Campinas (do Instituto de Artes da Unicamp) completam a montagem.

A decisão de convidar Flô Menezes para escrever uma ópera original está em consonância com o projeto artístico do Theatro São Pedro, que, desde 2017, dedica parte de sua programação à música nova. Ao encomendar uma ópera a um dos principais compositores contemporâneos vivos, o Theatro São Pedro fortalece a ideia de que uma casa de ópera tem o dever não apenas de apresentar peças de repertório, mas também de instigar a produção artística e a investigação de novas linguagens e ideias, ampliando seu diálogo com a sociedade e a arte de seu tempo.

Serão três récitas, com apresentações também nos dias 28 e 29 de setembro. Os ingressos variam de R$ 80 a R$ 30, e já estão à venda na bilheteria do teatro ou pelo site theatrosaopedro.byinti.com

A montagem de Ritos de Perpassagem conta com o apoio do Goethe-Institut, que possibilitará a vinda do grupo de cantores alemães, Neue Vocalsolisten.

 

Parceria pedagógica

A montagem de Ritos de Perpassagem contempla também uma série de atividades voltadas para a formação de professores e de alunas e alunos da rede pública do Estado e da cidade de São Paulo. A parceria entre a Santa Marcelina Cultura e a Fundação Iochpe, por meio do Instituto Arte na Escola, tem por objetivo fortalecer o ensino de arte no Brasil por meio da formação continuada de professores da Educação Básica, e vai contemplar três encontros sobre Música Contemporânea e Educação.

A primeira dessas atividades aconteceu no dia 31 de agosto, quando foi proferida uma palestra com a participação do compositor Flô Menezes, do diretor artístico pedagógico da Santa Marcelina Cultura, Paulo Zuben, do professor do Departamento de Metodologia de Ensino da UFSCar, Marcos Pires Leodoro, da pesquisadora Gisa Picosque e do professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Maurício Ayer. Já nos dias 23 e 24 de setembro, às 19h, serão realizadas récitas pedagógicas.

A ação é a primeira entre a Santa Marcelina Cultura e a Fundação Iochpe, e tem como objetivo um projeto mais amplo e de longo prazo. A partir das conversas com o compositor, récitas pedagógicas e de gravações da obra, será desenvolvido um material didático para que professores possam apresentar a peça a alunos e alunas da rede pública, inserindo-a numa discussão mais abrangente sobre diversos fazeres artísticos atuais.

 

FICHA TÉCNICA

Orquestra do Theatro São Pedro
Ricardo Bologna, direção musical
Marcelo Gama, realização cênica
Flô Menezes, eletrônica
Raimo Benedetti, criação de vídeo
Tiça Camargo, visagismo
Mirella Brandi, iluminação
Marcelo Ferreira, narrador

Participações: Grupo Piap / Studio PANaroma / Coro Contemporâneo de Campinas

Neue Vocalsolisten: Katia Guedes, soprano / Susanne Leitz-Lorey, soprano lírica / Truike van der Poel, mezzosoprano / Daniel Gloger, contratenor / Martin Nagy, tenor / Guillermo Anzorena, barítono / Andreas Fischer, baixo

 

 

SERVIÇO

 

“Ritos de Perpassagem”, ópera de Flô Menezes

 Ensaio geral: dia 25* de setembro, quarta-feira, às 19h

Dias 27 (sexta) e 28 (sábado) de setembro, às 20h
Dia 29 de setembro, domingo, às 17h

Theatro São Pedro (Rua Barra Funda, 161 – Barra Funda, São Paulo – 3667 0499)

Ingressos: R$ 30,00 a R$ 80,00
Plateia central: R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia)
1º Balcão: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia)
2º Balcão: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)

Vendas: bilheteria e internet theatrosaopedro.byinti.com
Formas de pagamento: Dinheiro e Cartões de Débito e Crédito

Classificação indicativa: 12 anos

Acessibilidade: Sim

 

Programação pedagógica:

Dias 23 e 24 de setembro, às 19h

Récitas pedagógicas

Theatro São Pedro

Entrada franca

 

 

Goethe-Institut 

Parceria e diálogo. Com base nestes conceitos, o Goethe-Institut está ativo há mais de 50 anos no Brasil. Sua rede, da qual fazem parte cinco Institutos Goethe no Brasil, um centro Goethe e diversas instituições culturais, unifica as boas relações entre a Alemanha e o maior país da América do Sul. O que começou há 50 anos na casa Goethe, com a apresentação da cultura alemã, se desenvolveu continuamente de forma institucional e programática.

O foco hoje situa-se na inovação, nos experimentos, nos processos de longo prazo, e na troca e colaboração de artistas, escritores e intelectuais de ambos os países. Mais de 9 mil brasileiros e brasileiras aprendem alemão, anualmente, em um dos Goethe-Institut, em salas de aula equipadas eletronicamente, com uma didática centrada no aluno. Com um acervo de 14.000 livros e 3.000 mídias eletrônicas, a biblioteca do Goethe-Institut São Paulo é a maior biblioteca de todo o Brasil dedicada à Alemanha.

O Goethe-Institut é parte integrante da infraestrutura cultural de São Paulo e atua dentro de uma grande e diversa rede de parceiros. Projetos concebidos em conjunto, coproduções, residências artísticas, discussões sobre temas globais como mudança climática, biodiversidade, planejamento urbano, entre outros, vão além da mediação da cultura alemã e descrevem perspectivas futuras.

 

Santa Marcelina Cultura 

Criada em 2008, a Santa Marcelina Cultura é uma associação sem fins lucrativos, qualificada como Organização Social, qualificada como Organização Social de Cultura pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado. É responsável pela gestão do Guri Capital e Grande São Paulo e da Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim (EMESP Tom Jobim).

O objetivo da Santa Marcelina Cultura é desenvolver um ciclo completo de formação musical integrado a um projeto de inclusão sociocultural, promovendo a formação de pessoas para a vida e para a sociedade. Desde maio de 2017, a Santa Marcelina Cultura também gere o Theatro São Pedro, desenvolvendo um trabalho voltado a montagens operísticas profissionais de qualidade aliado à formação de jovens cantores e instrumentistas para a prática e o repertório operístico, além de se debruçar sobre a difusão da música sinfônica e de câmara com apresentações regulares no Theatro.

 

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